Últimos dias
06-06




vamos caminhar quatro dias pela Cordilheira Branca. Connosco vai um casal de holandeses e outro de eslovenos que conhecemos nas dunas de Huacachina, e um casal de franceses que conhecemos na ilha de Amantani, no lago Titicaca.
Neste primeiro dia caminhamos cinco horas por um vale verdejante, passando pequenas casas de pastores, cujos filhos pequenos nos dizem "hola" e nos pedem caramelos! Passamos o final de tarde a jogar às cartas no acampamento, jantamos antes que anoiteça, e recolhemos às tendas assim que o frio aperta. No dia seguinte acordamos bem cedo e tomamos um pequeno-almoço forte: espera-nos um dia duro, com 1000m de desnível de subida. Joep, o holandês, passou a noite mal da barriga e a vomitar, não se sente em condições de continuar e volta de mula até Vaqueria. Vamos então os seis rumo a uma extenuante subida de quatro horas que nos leva até ao passo Punta Union, a 4750m de altitude. Ficamos cerca de uma hora a usufruir de uma paisagem de 360º sobre os picos nevados, glaciares e lagoas desta cordilheira. A Cordilheira
Branca é a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, e a segunda mais alta depois dos Himalaias. Aqui encontra-se a montanha Huascarán, a mais alta do Peru e segunda mais alta do continente americano, com 6768 m.s.n.m., e a que já foi considerada a montanha mais bonita do mundo, o Alpamayo, com 5947 m.s.n.m..
pancadaria entre jovens peruanos, típicas de um normal Sábado à noite. O nosso guia vem ter connosco, ainda bebido, e seguimos para uma viagem de autocarro de sete horas que nos leva até ao início da nossa caminhada pela Cordilheira Huayhuash. Pelo caminho continua-se a beber umas cervejitas! Em Llamac, conhecemos o nosso arrieiro, e seguimos para uma subida de duas horas que nos leva a um passo de 4300m de onde contemplamos vários picos nevados. Foi por isto que viemos cá! Descemos e continuamos três horas por um caminho relativamente plano até um pequeno aglomerado de três casas, onde chegamos debaixo de chuva e frio, já quase de noite. Somos acolhidos pelo calor da chama da lareira em casa de uma simpática senhora, enquanto esperamos que o guia e o arrieiro cheguem. O guia, estava com os copos, comeu uma pêra abacate e uma coca-cola e diz que ficou com diarreia e vómitos por causa disso: foi só o início! O arrieiro, não conseguia controlar os dois burros que tinha e estava continuamente a deixar cair a carga: foi só o início!
No dia seguinte, acordamos com a tenda cheia de gelo por fora. Vestimo-nos encolhidos, tomamos o pequeno-almoço, arrumamos tudo e seguimos para três horas de subida até ao passo Punta Rondoy, a 4750m de altitude. Mais 50 Mb de fotografias, a observar as constantes avalanches e ruídos ensurdecedores do gelo a quebrar, e descemos até Matacancha, onde acampamos. O dia seguinte tem dois passos importantes acima dos 4600m de altitude. São oito horas de dura caminhada que culminamos junto a uma fantástica lagoa guardada por imponentes picos nevados e glaciares. Aqui, o nosso arrieiro, que se chamava Ever, como ele gostava de repetir não fossemos nós esquecer, deixou um dos burros seguir pelo caminho errado e entrar dentro do rio. Ficámos com a tenda e os sacos-cama todos molhados, e tivemos de dormir com as mantas que cobrem os burros nas próximas noites, menos mal! O guia, está cada vez pior de saúde, e não consegue continuar. Vai voltar por um caminho alternativo que o leva até uma aldeia de onde consegue um transporte para voltar a Huaraz. Como alternativa, surgiu um arrieiro experiente, que faz a vez dos dois pategos com quem estivemos estes três dias, o
Rubin. Seguimos com ele por mais três dias duros, mas que valem cada minuto pelas paisagens.
Chegamos a Trujillo, uma cidade costeira bem preservada a nível de arquitectura colonial. Além disso, está rodeada de sítios arqueológicos de enorme valor. Visitamos os templos do Sol e da Lua, da cultura Moche, que dominou a costa Norte do que hoje é Peru entre 200 A.C. e 850 D.C.. À tarde visitamos Chan Chan, a gigantesca cidade de adobe que albergou 35.000 habitantes da cultura Chimu, descendentes dos Moche, que prosperaram entre 850 D.C. e 1470 D.C., ano em que foram conquistados pelos Incas.
Descemos em bicicleta a estrada que liga La Paz a Coroico. Esta é oficialmente a estrada mais perigosa do mundo, e o galardão é bem merecido, dado o número de acidentes mortais que ocorreram aqui. Largura de faixa só suficiente para um veículo, abismos de 1000m, instabilidade de taludes e quedas de água sobre a estrada predominam! São três horas para descer cerca de 60 km de pura adrenalina e belas paisagens, até chegar à tropical Coroico, onde almoçamos e mergulhamos na piscina de um hotel.
aglomerados de populações indígenas, que ainda hoje utilizam este caminho empedrado, antigamente usado pelo império inca para transporte de produtos agrícolas entre os vales tropicais e as terras altas.
29-04
ilhas que flutuam graças a uma grossa camada de raízes e terra, e várias camadas de uma espécie de planta que abunda por aqui, a totora. Estas ilhas são depois ancoradas e são de tal forma robustas e resistentes que nelas são construídas casas, escolas e até pequenos hospitais. Também os pequenos barcos são construídos com esta planta que se pode inclusivamente comer! Visitamos ainda as ilhas de Amantani e Taquile, com culturas autênticas e relativamente preservadas. Pernoitamos na ilha de Amantani, em casa de locais que à noite nos emprestam as suas roupas típicas e nos levam a uma pequena festa onde dançamos até cair! Não é preciso muito para cair, quando se dança a 3800m de altitude...
09-05
exo. Estávamos tão entusiasmados à procura de uma aberta no nevoeiro, que em certo momento não prestámos a devida atenção à guia, que ía fazendo perguntas aos menos atentos, tal e qual como na escola! Quem não soubesse responder tinha de cantar o hino do seu país em voz alta! Todo o grupo ouviu o hino português!
16-05
BUMM! "F*******!!! Já f******** o carro todo!! Apanhámos um buraco na estrada e empenámos a jante, o pneu esvaziou todo! Às 4 da manhã, no meio do nada, rodeados de ruídos de bichos que não conhecemos, lá metemos o sobresselente. Chegamos ao hostal às 6 da manhã, tomamos o pequeno-almoço e arranjamos o pneu. Descansamos um pouco em redes e vamos para as cristalinas águas do rio sucuri. Cerca de uma hora fazendo snorkeling pelo rio mais transparente que já vimos. A natureza calcária de toda a região, torna estas águas impressionantemente limpas, de tal modo que mais parece que estamos a flutuar sobre o ar. Ao jantar comemos carne de jacaré e capivara. O dia seguinte é preenchido entre visitar a gruta da lagoa azul, fazer um rapel de mais de 80m até um lago subterrâneo com várias formações subaquáticas, e conhecer o balneário municipal. À noite voltamos a Campo Grande e despedimo-nos do Nuno, que apanha um voo de volta a S. Paulo.
O facto de a nossa língua mãe ser o português, permite-nos aproximar muito mais da população local, e fruto disto somos convidados para um churrasco num cafezinho local. Bebemos muita caipirinha e comemos porco selvagem acabado de caçar. Na mesma noite, pescamos piranhas, capazes de comer um dedo de um de nós! Quando pegamos nelas, apercebemo-nos bem dos seus dentes afiados!
a registo informático da nossa saída. Cruzamos a fronteira para a Bolívia e aguardamos o comboio, com horário de partida previsto para as 12h. Saímos com seis horas de atraso em direcção a S. José de Chiquitos, onde chegamos às 7 da manhã.
são extraídos como se estivéssemos ainda no séc. XVII. Tudo é feito de forma manual em condições extremamente desumanas. A esperança média de vida destes trabalhadores é de 10 anos, depois disto aparecem as doenças de pulmões. Compramos folhas de coca e oferecemos aos simpáticos mineiros, alguns deles crianças de 15 anos agradadas por dar dois dedos de conversa. Mastigar as folhas é algo que lhes dá alento para suportar um dia inteiro de trabalho duro, e uma tradição por toda a Bolívia.
As chuvas que atingiram a zona recentemente, deixaram uma fina camada de água que funciona como um espelho perfeito. Não dá para ver onde acaba a terra e começa o céu, é impressionante. Almoçamos na ilha dos pescadores, um monte rochoso cheio de cactos, no meio da imensidão branca. Dormimos numa pequena aldeia, e no dia seguinte continuamos o passeio por entre lagoas habitadas por centenas de flamingos, vulcões, formações rochosas curiosas e uma imensidão de nada. Acabamos o dia perto da lagoa colorada, de água vermelha originada pela concentração de algas e plâncton, os mesmos que dão a cor rosada aos flamingos.
15-04
S. Telmo, com o tango de rua e o mercado de antiguidades, a colorida Boca, Palermo velho,o centro, o moderno Puerto Madero. Vamos ainda assistir a um clássico show de tango, no ainda mais clássico Café Tortoni.
O rio Iguaçu forma, talvez as mais belas cataratas do mundo. Visitadas do lado argentino, apercebemo-nos bem da força da água, e sentimo-la bem no corpo. Um pequeno passeio de barco leva-nos até debaixo das mais pequenas. Mas o melhor ainda está para vir! Depois de uma caminhada de 20 minutos estamos sobre a garganta do diabo, a principal e mais impressionante de todo o conjunto das quedas de água . O ruído é ensurdecedor e ficamos encharcados com a quantidade de água que é levantada pelos ventos formados pela própria cascata. Só visto é que nos apercebemos da imponência e do poder da água! É arrepiante!!
Ipanema e Leblon são óptimas, e a cidade vista desde o Pão-de-Açucar ou do Corcovado é algo fenomenal. Agora compreendo porque tantas letras de música foram feitas à volta desta metrópole. Os cariocas têm motivo para ser orgulhosos. O centro também é interessante e algumas zonas fazem lembrar os bairros históricos de Lisboa, nem que seja pela calçada nas ruas e pelo pequeno eléctrico, o "bonde", leia-se "bom-dji-nho"!
Apanhamos um barco em Angra dos Reis, e dirigimo-nos para Vila Abraão, o maior aglomerado urbanizado da ilha, mas ainda assim tão pequeno que os dois únicos carros que circulam pelas ruas de terra batida são os dos bombeiros e policia.
"Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher perfeita. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein." Oscar Niemeyer
acordámos eleger, por unanimidade, a Ana Tem Tem ("pudu pudu") como membro honorário da expedição! Esta nomeação é mais que merecida, no entanto é condicional... fica sujeita a uma jantarada de celebração a qualquer latitude e em data a estabelecer! Adeus Ana...!!
selvagem. Pinguins de Magalhães, lobos marinhos, elefantes marinhos, baleias, orcas, todos coabitam por aqui! É um deleite para nós, que normalmente só vimos este tipo de animais num zoo. Visitamos ainda Punta Tombo, uma reserva com cerca de 800.000 pinguins. Eles andam por todo o lado, e tão próximos que nos arriscamos a levar uma bicada! Fazemos ainda uma volta de barco para ver toninas, uma espécie de golfinho branco e preto único.
obrigatoriamente de cruzar a fronteira com o Chile, e voltar a entrar na Argentina. Entramos na Terra do Fogo, após passar o canal de Magalhães em Ferry. Ushuaia é, de facto, a cidade mais austral... da Argentina! A verdade é que cerca de 60 km mais a sul, localiza-se Puerto Williams, essa sim, a cidade mais a sul do mundo, no Chile! Apesar disso, Ushuaia ficou com a fama internacional, e é visitada por largos milhares de turistas todos os anos, enquanto Puerto Williams, realmente parece o verdadeiro fim do mundo! No entanto, não vamos lá! A discussão à volta do assunto entre Argentina e Chile, resulta na não existência de um transporte regular entre Ushuaia e Puerto Williams, e a cidade chilena mais próxima também é demasiado longe, o que faz com que o preço do transporte seja exageradamente alto!
inteiramente do turismo. O Parque Nacional Los Glaciares alimenta toda a cidade, e não é para menos, é realmente fantástico! Como o próprio nome indica, o parque tem vários glaciares, e todos impressionantes. Fazemos uma viagem de um dia em barco pelos lagos glaciares e um minitrekking sobre o glaciar mais famoso e visitado do parque: o glaciar Perito Moreno. Terminamos a mini-caminhada de 2 horas pelo fantástico glaciar azul com um whiskey arrefecido com gelos centenários! Assistimos ainda a vários desprendimentos do glaciar (consegui filmar um deles, vejam-no!), e foi nesta altura que escutámos uma curiosa e interessante conversa entre o Zé Bigodes, o Manel da Pinga, e o Dr. Geo. Foi mais ou menos assim:
26-01
ós três e a Anna, uma italiana que nos acompanha na viagem já há duas semanas. Comemos bem, bebemos ainda melhor! A Silvia sopra as velas e abre as prendas. Foram só coisas úteis para a próxima caminhada que vamos fazer, tais como toalhetes, chá, chocolates, etc, e ainda um bico da camping gaz e um recipiente para líquidos! No dia seguinte acordamos tarde e tratamos das compras para os sete dias no Parque Nacional Torres del Paine.
visitado entre os amantes de trekking na América do Sul, o Parque Nacional Torres del Paine deve o seu nome às monstruosas torres de granito que dominam a paisagem. A rodeá-las, está o pico Paine Grande e os cornos de Paine, formações de base granítica e cabeça sedimentar, cuja fotografia é capa de livros por esse mundo fora.
Uma parte do barco é dedicada ao transporte de passageiros, esta sim, bem arranjada, organizada por quartos com beliches de quatro categorias distintas. Apanhamos um péssimo tempo no primeiro dia de viagem, muita chuva e vento, mas os seguintes foram óptimos dias de sol. Durante a viagem, desfrutamos dos glaciares e dos desabitados fjords patagónicos, por vezes tão estreitos, que parece que o barco não passa através deles! Desembarcamos durante uma hora em Puerto Eden, uma pequena aldeia piscatória e casa da quase extinta comunidade indígena Qawashqar.
ESPECIAL EQUADOR