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MAPA MUNDO INTERACTIVO

12 Junho 2007

Últimos dias

CHEGAMOS A LISBOA NO SÁBADO, 16 DE JUNHO, ÀS 19:30H, VOO VUELING DESDE MADRID!


06-06



Vamos até Chiclayo, na costa norte do Peru! Visitamos o que foi um cemitério da cultura Moche, em Sipán. Andamos pela cidade e seus mercados enormes onde tudo se vende a qualquer preço!


09-06




Seguimos para Lima, onde vamos passar os últimos dias desta viagem!



Lima é uma capital de sete milhões de habitantes com um grande centro histórico e bairros modernos, com todas as cadeias internacionais de lojas e restaurantes que já conhecemos.


Passamos estes últimos dias num hotel jeitoso, bem no meio de toda a acção moderna!





Vamos a "shoppings", cinemas e restaurantes caros, enfim, fazemos vida de cidade...


Dia 14 de manhã, espera-nos o voo da Aircomet, que nos leva até Madrid.


E é assim...



Uma casa dentro de uma mochila de 70 litros, alguns hoteis ranhosos, outros desenhados para o "backpacker" com condições práticas e úteis, a mesma roupa todos os dias (às vezes mudavamos de cuecas e meias), várias centenas de horas dentro de autocarros a percorrer largos milhares de km`s, infindáveis amigos, 10 fronteiras políticas e ainda mais fronteiras culturais e naturais, pessoas boas, pessoas más, sítios agradáveis, outros desgradáveis, muito frio, muito calor...




...foram quase 11 meses de uma aventura sonhada e concretizada, muito enriquecedora, que nunca mais na nossa vida vamos esquecer!!




Façam o mesmo!!!!







Até breve!

04 Junho 2007

Cordilheiras tropicais

É VERDADE, VAMOS MESMO VOLTAR A CASA!!! NO DIA 15 DE JUNHO VAMOS DE LIMA PARA MADRID, E NO SÁBADO, 16 DE JUNHO, APANHAMOS UM VOO MADRID-LISBOA, PELA VUELING. HORA PREVISTA DE CHEGADA A LISBOA: 19:30H!!!!

20-05
Contratamos um guia e um "arrieiro" (um homem que tem e conduz burros pela montanha), e vamos caminhar quatro dias pela Cordilheira Branca. Connosco vai um casal de holandeses e outro de eslovenos que conhecemos nas dunas de Huacachina, e um casal de franceses que conhecemos na ilha de Amantani, no lago Titicaca.


Ficamos logo maravilhados com a viagem de carro que fazemos até Vaqueria, o pequeno aglomerado de casas a partir do qual iniciamos a caminhada. As paisagens dos picos nevados são deveras impressionantes!




Neste primeiro dia caminhamos cinco horas por um vale verdejante, passando pequenas casas de pastores, cujos filhos pequenos nos dizem "hola" e nos pedem caramelos! Passamos o final de tarde a jogar às cartas no acampamento, jantamos antes que anoiteça, e recolhemos às tendas assim que o frio aperta. No dia seguinte acordamos bem cedo e tomamos um pequeno-almoço forte: espera-nos um dia duro, com 1000m de desnível de subida. Joep, o holandês, passou a noite mal da barriga e a vomitar, não se sente em condições de continuar e volta de mula até Vaqueria. Vamos então os seis rumo a uma extenuante subida de quatro horas que nos leva até ao passo Punta Union, a 4750m de altitude. Ficamos cerca de uma hora a usufruir de uma paisagem de 360º sobre os picos nevados, glaciares e lagoas desta cordilheira. A Cordilheira Branca é a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, e a segunda mais alta depois dos Himalaias. Aqui encontra-se a montanha Huascarán, a mais alta do Peru e segunda mais alta do continente americano, com 6768 m.s.n.m., e a que já foi considerada a montanha mais bonita do mundo, o Alpamayo, com 5947 m.s.n.m..


Caminhamos a partir daqui através do vale de Santa Cruz durante mais dois dias, até chegar à aldeia Cashapampa, de onde voltamos a Huaraz.



24-05
Visitamos as ruínas do que foi um centro cerimonial da cultura Chavin. Esta cultura existiu entre os anos 1000 e 300 A.C., pré-datando os incas em dois milénios, e dominou a parte norte do que é hoje o Peru. À semelhança de outras culturas pré-colombinas, a Chavin idolatrava o Sol e a "Pachamama", a Mãe Natureza, fazendo o condor, o jaguar e a serpente, a ligação ao céu, terra e mortos, respectivamente.
No dia seguinte vamos conhecer a Puya Raimondii, a maior planta da família do ananás. Com uma base que chega aos 2 m de diâmetro e um caule que pode chegar aos 12m de altura, esta planta que demora cerca de 100 anos a atingir o seu tamanho máximo, floresce aproximadamente 20.000 flores de uma só vez. Vamos ainda a uma caverna de gelo, no pico Pastoruri.
26-05
Preparamos a nossa próxima caminhada de seis dias pela majestosa Cordilheira Huayhuash.

27-05
Começamos este Domingo bem cedo, às 04:30h. Pelas ruas de Huaraz, ainda há cenas de pancadaria entre jovens peruanos, típicas de um normal Sábado à noite. O nosso guia vem ter connosco, ainda bebido, e seguimos para uma viagem de autocarro de sete horas que nos leva até ao início da nossa caminhada pela Cordilheira Huayhuash. Pelo caminho continua-se a beber umas cervejitas! Em Llamac, conhecemos o nosso arrieiro, e seguimos para uma subida de duas horas que nos leva a um passo de 4300m de onde contemplamos vários picos nevados. Foi por isto que viemos cá! Descemos e continuamos três horas por um caminho relativamente plano até um pequeno aglomerado de três casas, onde chegamos debaixo de chuva e frio, já quase de noite. Somos acolhidos pelo calor da chama da lareira em casa de uma simpática senhora, enquanto esperamos que o guia e o arrieiro cheguem. O guia, estava com os copos, comeu uma pêra abacate e uma coca-cola e diz que ficou com diarreia e vómitos por causa disso: foi só o início! O arrieiro, não conseguia controlar os dois burros que tinha e estava continuamente a deixar cair a carga: foi só o início!



No dia seguinte, acordamos com a tenda cheia de gelo por fora. Vestimo-nos encolhidos, tomamos o pequeno-almoço, arrumamos tudo e seguimos para três horas de subida até ao passo Punta Rondoy, a 4750m de altitude. Mais 50 Mb de fotografias, a observar as constantes avalanches e ruídos ensurdecedores do gelo a quebrar, e descemos até Matacancha, onde acampamos. O dia seguinte tem dois passos importantes acima dos 4600m de altitude. São oito horas de dura caminhada que culminamos junto a uma fantástica lagoa guardada por imponentes picos nevados e glaciares. Aqui, o nosso arrieiro, que se chamava Ever, como ele gostava de repetir não fossemos nós esquecer, deixou um dos burros seguir pelo caminho errado e entrar dentro do rio. Ficámos com a tenda e os sacos-cama todos molhados, e tivemos de dormir com as mantas que cobrem os burros nas próximas noites, menos mal! O guia, está cada vez pior de saúde, e não consegue continuar. Vai voltar por um caminho alternativo que o leva até uma aldeia de onde consegue um transporte para voltar a Huaraz. Como alternativa, surgiu um arrieiro experiente, que faz a vez dos dois pategos com quem estivemos estes três dias, o Rubin. Seguimos com ele por mais três dias duros, mas que valem cada minuto pelas paisagens.
Ao longo do percurso há pequenas "portagens", exploradas pelas comunidades de agricultores e pastores da região, que supostamente cobrem dois aspectos: a conservação dos caminhos e zonas de acampamento, e a nossa segurança! Isto porque há três anos atrás houve uma vaga de assaltos a caminhantes, sendo que um deles terminou na morte de quatro turistas. Ao pagar, garantimos a nossa segurança. Não sei bem de quem somos protegidos, quiçá dos mesmos a quem pagamos! De qualquer forma, continua muito por fazer em relação à manutenção dos caminhos e locais de acampamento.
Esta foi provavelmente a caminhada mais dura que fizemos, mas também a que mais valeu o esforço. Esta cordilheira está entre as mais majestosas do mundo, e continua sendo pouco conhecida internacionalmente.
02-06

Chegamos a Trujillo, uma cidade costeira bem preservada a nível de arquitectura colonial. Além disso, está rodeada de sítios arqueológicos de enorme valor. Visitamos os templos do Sol e da Lua, da cultura Moche, que dominou a costa Norte do que hoje é Peru entre 200 A.C. e 850 D.C.. À tarde visitamos Chan Chan, a gigantesca cidade de adobe que albergou 35.000 habitantes da cultura Chimu, descendentes dos Moche, que prosperaram entre 850 D.C. e 1470 D.C., ano em que foram conquistados pelos Incas.

17 Maio 2007

Meseta dos Andes

17-04

La Paz não é a capital da Bolívia, mas é aqui que estão sediados os poderes legislativo e executivo do país. Inserida num vale a 3660m de altitude, a cidade é uma gigantesca feira, onde tudo se vende pelas ruas inclinadas. Andar às compras é um verdadeiro desporto de alta competição, mas vale a pena, tudo é incrivelmente barato! Compramos um casaco de cabedal feito à medida por uns míseros euros!
Vista de cima a cidade é um caos total, vista de baixo também, mas as montanhas nevadas que a circundam fazem o cenário global interessante e pitoresco! Visitamos alguns museus, entre eles o da coca, que nos deixa bem claro que as folhas de coca não são cocaína. Pelas ruas somos constantemente relembrados que temos as botas sujas, os engraxadores de cara escondida por uma máscara de ski abundam por La Paz.
Descemos em bicicleta a estrada que liga La Paz a Coroico. Esta é oficialmente a estrada mais perigosa do mundo, e o galardão é bem merecido, dado o número de acidentes mortais que ocorreram aqui. Largura de faixa só suficiente para um veículo, abismos de 1000m, instabilidade de taludes e quedas de água sobre a estrada predominam! São três horas para descer cerca de 60 km de pura adrenalina e belas paisagens, até chegar à tropical Coroico, onde almoçamos e mergulhamos na piscina de um hotel.
Mais um dia em La Paz e iniciamos o Choro Trek, um caminho inca de três dias que começa aos 4860m de altitude e termina a 1400m, na localidade de Chairo. Começamos com o tempo seco e frio e à medida que descemos, a vegetação começa a aparecer aos poucos e a temperatura e humidade a subir. Dormimos como convidados em pequenos aglomerados de populações indígenas, que ainda hoje utilizam este caminho empedrado, antigamente usado pelo império inca para transporte de produtos agrícolas entre os vales tropicais e as terras altas.
Visitamos ainda as ruínas de um centro cerimonial da cultura pré-inca Tiwanaku, cujo império abrangeu o que é hoje a Bolívia e parte do Peru, e se centralizou nas margens do lago Titicaca por volta do séc. VII até ao séc. XII.

27-04

Chegamos a Copacabana, nas margens do lago Titicaca. Este mítico lago, que os incas acreditavam ter sido o berço de toda a sua civilização, está situado a 3800m de altitude e tem, grosso modo, 230 km de comprimento por 97 km de largura. Ficamos dois dias aqui e seguimos para Arequipa, no Peru. A Tânia está com uma gripe forte, e o nariz entupido a uma altitude de 3800m faz uma pequena dor de cabeça tornar-se insuportável.

29-04

Arequipa está a uma altitude consideravelmente mais baixa, a 2325m. Ficamos quatro dias em recuperação, após os quais usufruímos um pouco da cidade e da sua envolvente: três picos nevados, entre eles o cónico vulcão "El Misti", com 5822m.
Um dos maiores atractivos da cidade é a proximidade do canyon de Colca, o segundo canyon mais fundo do mundo, com 3191m, só ultrapassado pelo próximo mas pouco acessível canyon de Cotahuasi, 163m mais fundo. Visitamos Colca e observamos durante a manhã o sobrevoo de condores mesmo sobre as nossas cabeças.

06-05

Voltamos ao lago Titicaca, desta vez na margem peruana, na cidade de Puno. Daqui visitamos as ruínas de Sillustani, tumbas em forma de torres cilíndricas onde a cultura pré-inca e mais tarde dominada pelos incas "Colla", enterrava os seus mortos de classe alta! A maior destas torres tem 12m de altura.
Conhecemos algo bem original e único: as ilhas flutuantes Los Uros. São, como o nome indica, ilhas que flutuam graças a uma grossa camada de raízes e terra, e várias camadas de uma espécie de planta que abunda por aqui, a totora. Estas ilhas são depois ancoradas e são de tal forma robustas e resistentes que nelas são construídas casas, escolas e até pequenos hospitais. Também os pequenos barcos são construídos com esta planta que se pode inclusivamente comer! Visitamos ainda as ilhas de Amantani e Taquile, com culturas autênticas e relativamente preservadas. Pernoitamos na ilha de Amantani, em casa de locais que à noite nos emprestam as suas roupas típicas e nos levam a uma pequena festa onde dançamos até cair! Não é preciso muito para cair, quando se dança a 3800m de altitude...
Vamos em direcção a Cusco, capital do império Inca!

09-05

Cusco é uma cidade com uma arquitectura colonial bem preservada. Grande parte das grandes construções espanholas foram feitas sobre fundações incas, o único que sobrou destas grandes obras após destruidores sismos. As infra-estruturas turísticas comportam as centenas de "gringos" que aqui chegam diariamente. Hotéis, restaurantes, bares, agências, todos competem pelas ruas para abarcar o maior número de clientes. É enorme o assédio quando se caminha pelo centro da cidade, até pensámos em estampar uma t-shirt a dizer: "NO GRACIAS!"
Cusco e os seus arredores têm uma enorme quantidade de ruínas do que foi o grande império Inca, que teve o seu auge desde a segunda metade do séc. XV até ao ano 1533. Visitamos as ruínas de Sacsayhuamán (sexy woman!), Qenko, Puca Pucara, Tambo Machay, Pisac, Ollantaytambo, Moray, Maras e Chinchero. Mas o mais impressionante é sem dúvida Machupicchu. Apanhamos um comboio em direcção a Aguas Calientes, mesmo sobre a cidade perdida dos incas, nunca descoberta pelos espanhóis. Aqui dormimos para madrugar no dia seguinte. Chegamos às 6 da manhã a Machupicchu, no meio de um imenso nevoeiro. À medida que a nossa guia nos vai explicando cada uma das ruínas, e vamos entrando pela cidade, pequenas abertas deixam-nos ter uma ideia de todo o complexo. Estávamos tão entusiasmados à procura de uma aberta no nevoeiro, que em certo momento não prestámos a devida atenção à guia, que ía fazendo perguntas aos menos atentos, tal e qual como na escola! Quem não soubesse responder tinha de cantar o hino do seu país em voz alta! Todo o grupo ouviu o hino português!
Pelas 10h o tempo finalmente abriu. É impressionante! Por muitas ruínas que já tenhamos visto, e por muito comercial que achemos todo o tema Machupicchu, a visão à nossa frente é de facto impressionante. Não só pelas ruínas da cidade em si, mas também pelo local em que está inserida, rodeada de grandes morros verdes e abismos enormes. Subimos ao waynapicchu, um desses morros à volta da cidade! Passamos 11 horas a desfrutar de todo o local e voltamos a Cusco no dia seguinte.

15-05

Chegamos a Nasca pela manhã. A cidade não tem nada de especial para oferecer, mas os seus arredores possuem algo único no mundo: as linhas de Nasca. A cultura Nasca existiu muito antes dos incas, e por razões que ainda hoje são um mistério, desenharam enormes figuras pelo deserto que domina esta zona do Peru. As figuras só são perceptíveis a partir do céu, daí que sobrevoamos toda a área numa avioneta. O voo dura cerca de 30 min, e é impróprio para estômagos sensíveis. Ainda bem que não tínhamos tomado o pequeno-almoço!

16-05

Chegamos a Huacachina, a 4 km da cidade de Ica. Huacachina é um pequeno oásis no meio de enormes dunas, por onde damos alucinantes voltas de buggy e fazemos sand board. Aproveitamos ainda a piscina do hotel e à noite comemos um belo barbecue bem regado!

18-05

Partimos em direcção a Huaraz e às cordilheiras Branca e Huayhuash.

18 Abril 2007

Pântanos e Altiplanos

22-03

Em Campo Grande encontramo-nos com a Silvia e o Nuno. Combinamos todos no aeroporto, alugamos um carro, e dirigimo-nos a Bonito onde vamos passar o fim-de-semana. Partimos às 00:30h, para uma viagem de cerca de 4 horas e meia. O trajecto foi bem animado! Inclusive cantámos clássicos da música portuguesa, como o Marco Paulo, acompanhando o pc pocket do Nuno: Sempre que brilhaaa o solllll... naquelaa praiaaaa! BUMM! "F*******!!! Já f******** o carro todo!! Apanhámos um buraco na estrada e empenámos a jante, o pneu esvaziou todo! Às 4 da manhã, no meio do nada, rodeados de ruídos de bichos que não conhecemos, lá metemos o sobresselente. Chegamos ao hostal às 6 da manhã, tomamos o pequeno-almoço e arranjamos o pneu. Descansamos um pouco em redes e vamos para as cristalinas águas do rio sucuri. Cerca de uma hora fazendo snorkeling pelo rio mais transparente que já vimos. A natureza calcária de toda a região, torna estas águas impressionantemente limpas, de tal modo que mais parece que estamos a flutuar sobre o ar. Ao jantar comemos carne de jacaré e capivara. O dia seguinte é preenchido entre visitar a gruta da lagoa azul, fazer um rapel de mais de 80m até um lago subterrâneo com várias formações subaquáticas, e conhecer o balneário municipal. À noite voltamos a Campo Grande e despedimo-nos do Nuno, que apanha um voo de volta a S. Paulo.

25-03

Entramos num autocarro que nos leva até às entranhas do Pantanal. Este é provavelmente o melhor local da América do Sul para avistar vida selvagem, pois ao contrário da Amazónia, é um gigantesco pântano com virtualmente nenhuma floresta cerrada. Fazemos caminhadas com água pelos joelhos, remamos por zonas que são casa das anacondas e jacarés, passeamos a cavalo. Avistamos jacarés, capivaras, queixadas, tatus, coatis, inúmeras aves, entre as quais coloridos tucanos e araras.
O facto de a nossa língua mãe ser o português, permite-nos aproximar muito mais da população local, e fruto disto somos convidados para um churrasco num cafezinho local. Bebemos muita caipirinha e comemos porco selvagem acabado de caçar. Na mesma noite, pescamos piranhas, capazes de comer um dedo de um de nós! Quando pegamos nelas, apercebemo-nos bem dos seus dentes afiados!
Passados 3 dias no meio do pântano, voltamos à estrada e esperamos os autocarros que nos vão levar a dois destinos diferentes: eu e a Tânia seguimos para Corumbá, na fronteira com a Bolívia, e a Silvia volta para Campo Grande, onde vai apanhar um voo para S. Paulo e dias depois regressar a Portugal. Foi um momento emotivo. Partilhámos durante mais de oito meses uma viagem única, uma experiência inigualável! Entre abraços fortes e olhos a brilhar, deixamos a nossa amiga entrar no autocarro e partir em direcção à realidade...

31-03

Sair do Brasil por Corumbá, a um Sábado de manhã é complicado! O gabinete da polícia de imigração está fechado e não conseguimos carimbar o passaporte! Deixamos uma fotocópia dos nossos documentos e o cartão de turista na esquadra de polícia local, ficando o agente de serviço de nos fazer o favor de os entregar no gabinete de imigração, para registo informático da nossa saída. Cruzamos a fronteira para a Bolívia e aguardamos o comboio, com horário de partida previsto para as 12h. Saímos com seis horas de atraso em direcção a S. José de Chiquitos, onde chegamos às 7 da manhã.
S. José de Chiquitos é uma pequena vila que foi fundada pelos jesuítas, durante as suas missões do séc. XVIII. É uma viagem no tempo, especialmente no dia de hoje, Domingo de ramos, em que as ruas se enchem para a procissão em que todos os habitantes participam.
Apanhamos um autocarro nocturno em direcção a Sucre.

02-04

Ficamos às portas de Sucre! Há um bloqueio em todas as estradas de acesso à cidade. Pegamos na mochila, passamos o bloqueio a pé e apanhamos um táxi para o hotel.
Sucre tem um centro histórico que é património da UNESCO, estando bem conservado. É a cidade branca, sede do poder judicial e também a capital da Bolívia, apesar de no momento todo o poder executivo e legislativo estar sediado em La Paz.

05-04

Chegamos a Potosi, situada a 4090 m de altitude, em pleno altiplano boliviano, sendo a segunda cidade mais alta do mundo. Fundada em 1545, após a descoberta do cerro rico, uma montanha de prata, a cidade teve uma explosão demográfica. No final do séc. XVIII, a população da cidade atingiu os 200.000 habitantes, tornando-se a metrópole mais rica da América Latina e uma das mais ricas do mundo. Daqui foi extraída tanta prata para a coroa espanhola, que diz-se que poderia ter sido construída uma ponte de prata entre a América e a Europa, e ainda carregar prata por cima dela!
Visitamos as minas, ainda activas. Dão-nos o equipamento necessário, e entramos pelos labirínticos túneis do Cerro Rico. Aqui, os minerais são extraídos como se estivéssemos ainda no séc. XVII. Tudo é feito de forma manual em condições extremamente desumanas. A esperança média de vida destes trabalhadores é de 10 anos, depois disto aparecem as doenças de pulmões. Compramos folhas de coca e oferecemos aos simpáticos mineiros, alguns deles crianças de 15 anos agradadas por dar dois dedos de conversa. Mastigar as folhas é algo que lhes dá alento para suportar um dia inteiro de trabalho duro, e uma tradição por toda a Bolívia.
Seguimos para Uyuni.

08-04

Iniciamos um tour de 3 dias pelo Salar de Uyuni e sul da Bolívia. Paramos primeiro numa pequena aldeia onde o sal é extraído, tratado, embalado e vendido a 0,80 euros / 50 kg!! Seguimos e pouco tempo depois tudo à nossa volta é branco.
O Salar de Uyuni, com uma superfície de cerca de 12000 km2, é o maior do mundo. As chuvas que atingiram a zona recentemente, deixaram uma fina camada de água que funciona como um espelho perfeito. Não dá para ver onde acaba a terra e começa o céu, é impressionante. Almoçamos na ilha dos pescadores, um monte rochoso cheio de cactos, no meio da imensidão branca. Dormimos numa pequena aldeia, e no dia seguinte continuamos o passeio por entre lagoas habitadas por centenas de flamingos, vulcões, formações rochosas curiosas e uma imensidão de nada. Acabamos o dia perto da lagoa colorada, de água vermelha originada pela concentração de algas e plâncton, os mesmos que dão a cor rosada aos flamingos.
Começo o dia seguinte com uma terrível má disposição e desarranjo intestinal. Acordamos às 04:00h e seguimos para os geysers Sol de la Mañana, situados a 4850 m de altitude. Passamos por umas termas naturais e seguimos para a Laguna Verde e Laguna Branca.
Voltamos a Uyuni e despedimo-nos dos nossos amigos canadianos, ingleses, marroquinos e argentinos. Da mesma forma que com todos os viajantes com quem passámos algum tempo juntos, ficam os convites e as promessas de um dia visitarmos as cidades uns dos outros.
Passamos mais um dia em Uyuni e seguimos para Tupiza, onde ficamos três dias sem fazer rigorosamente nada!

15-04

Já recuperado e cheio de vontade de comer porcarias, pomos um chapéu de cowboy e fazemos um passeio a cavalo pelas paisagens que mais parecem ser do velho oeste norte-americano, com enormes cactos e formações rochosas de várias cores, uma paisagem diferente das que já havíamos visto.
Apanhamos um comboio em direcção a La Paz.

21 Março 2007

Pelas terras do mate

A SILVIA VAI VOLTAR A PORTUGAL! VEIO POR DOIS MESES A ACABOU POR FICAR MAIS DE OITO! É DIFICIL DEIXAR ESTE ENORME CONTINENTE, ESPECIALMENTE PELA BELEZA NATURAL QUE TEM PARA OFERECER. PARTE NA TAP DESDE O RIO DE JANEIRO E CHEGA A LISBOA NA SEXTA FEIRA SANTA, DIA 6 ÀS 06:40AM.

18-02

Domingo é dia de bola, e hoje joga o Boca Juniors com o Rosário Central. Os bilhetes estão esgotados, mas sempre se consegue entrar: um sócio chamado Javier Colaco, gordo e cabeludo, não vai e entro na "cancha"! A loucura é total, e ficar na bancada junto à claque mais antiga do clube, é uma experiência alucinante. Nunca param de cantar, e quando o adversário marca, as vozes elevam o seu tom, como se o Boca tivesse marcado! Resultado final, 1-1.
Nestes dias por Buenos Aires visitamos o Bairro S. Telmo, com o tango de rua e o mercado de antiguidades, a colorida Boca, Palermo velho,o centro, o moderno Puerto Madero. Vamos ainda assistir a um clássico show de tango, no ainda mais clássico Café Tortoni.
Desde o inicio desta viagem, já ouvimos inúmeras histórias de esquemas de assaltos, muitas delas contadas na 1ª pessoa. Alguns violentos, outros com elaborados esquemas, de certa forma já estávamos preparados para todos, e eliminávamos as situações no primeiro momento! Este que vou descrever a seguir foi muito simples e aconteceu connosco. Felizmente conseguimos evitá-lo no momento crucial: estávamos na recepção do hostal, com as mochilas prontas, à espera que chegasse um taxi para nos levar ao cais onde iríamos apanhar um barco para o Uruguai. O hostal é à porta fechada, e quando dois mochileiros tocam a campainha, o recepcionista abre a porta, e atrás deles sobe um casal com mochilas pequenas às costas. Nesse momento, eu e a Tânia estávamos a ver um quarto, uns quatro metros afastado do sitio onde as nossas mochilas estavam. O rapaz, muito calmamente, pega na minha mochila pequena, dirige-se devagar para as escadas e começa a desce-las em direcção à porta da rua. Nesse momento, sem nenhuma razão especial, olho para as mochilas, dou por falta da minha pequena e vejo o rapaz com ela! Pergunto-lhe em voz alta onde vai com a mochila, ao que ele responde: "es mia"!! Disse-o de forma tão calma e convincente, que toda a gente que lá estava realmente acreditou que era dele! Arranquei-lhe a mochila das mãos e ele saiu. Só depois nos apercebemos que a mulher também fazia parte do esquema, pois saiu, muito tranquila, porta fora do hostal! Lá se ia passaporte, máquina fotográfica e dvd´s com fotos, entre o mais importante. Dois dias antes, também tinham roubado um computador portátil a um jovem sueco que estava a escrever um livro!

22-02

Chegamos de barco a Colonia Sacramento, Uruguai.
Fundada em 1680 pela coroa portuguesa, e violando o Tratado de Tordesilhas, Colonia Sacramento servia principalmente como porto de contrabando para entrar em Buenos Aires. Hoje em dia a cidade é tranquila, é património da UNESCO, e torna-se uma visita bem agradável, especialmente para nós, portugueses.

Em resposta, os espanhois fundaram Montevideo, hoje capital do Uruguai. Ficamos 4 dias nesta calma capital, que não tem tanto assim para oferecer, mas a falta de transporte para o próximo destino obriga-nos a manter aqui até terça-feira. Aproveitamos para conhecer Punta del Este, a duas horas de Montevideo, o destino "in" para as férias de praia dos uruguaios.

28-02

Entramos no Paraguai, na sua capital, Assunção. Poucas palavras para descrever esta nossa breve passagem por esta cidade, cujo centro histórico vimos numa hora: calor húmido e abrasador, tempestade tropical, águas paradas, mosquitos, epidemia de dengue, autocarro na madrugada seguinte em direcção a Iguaçu.

01-03

Cruzamos a fronteira tripartida através de Ciudad del este, uma loucura de cidade, onde se vende tudo, e bens de contrabando tentam-se inserir nos fortes mercados brasileiro e argentino. Passamos para a pacata cidade argentina de Puerto Iguaçu, com o objectivo de visitar as fantásticas cataratas de Iguaçu.
O rio Iguaçu forma, talvez as mais belas cataratas do mundo. Visitadas do lado argentino, apercebemo-nos bem da força da água, e sentimo-la bem no corpo. Um pequeno passeio de barco leva-nos até debaixo das mais pequenas. Mas o melhor ainda está para vir! Depois de uma caminhada de 20 minutos estamos sobre a garganta do diabo, a principal e mais impressionante de todo o conjunto das quedas de água . O ruído é ensurdecedor e ficamos encharcados com a quantidade de água que é levantada pelos ventos formados pela própria cascata. Só visto é que nos apercebemos da imponência e do poder da água! É arrepiante!!
O lado brasileiro permite-nos ter a melhor visão. Podemos contemplar todo o complexo das cataratas e apercebemo-nos da sua enormidade. É uma paisagem que não cabe nos olhos!
Aproveitamos ainda para visitar a maior central hidroeléctrica do mundo, a barragem de Itaipú. Alguma curiosidades acerca desta grande obra: o volume total de betão corresponde a 210 estádios do maracanã, e com o ferro e aço poderiam ter-se edificado 380 torres Eiffel! O movimento de terras foi equivalente a duas vezes o volume do Pão-de-Açucar e a abertura máxima das comportas corresponde a um caudal de 62200 m3/s, o que é 40 vezes superior à média das cataratas de Iguaçu! Este projecto é responsável pela geração de 22% da energia eléctrica consumida pelo Brasil e mais de 90% pelo Paraguai.

05-03

"Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil"

Aparte dos assaltos e violência,o Rio de Janeiro é, de facto, uma cidade maravilhosa. Se não fosse cidade, o local certamente teria o estatuto de Parque Nacional. As praias de Copacabana, Ipanema e Leblon são óptimas, e a cidade vista desde o Pão-de-Açucar ou do Corcovado é algo fenomenal. Agora compreendo porque tantas letras de música foram feitas à volta desta metrópole. Os cariocas têm motivo para ser orgulhosos. O centro também é interessante e algumas zonas fazem lembrar os bairros históricos de Lisboa, nem que seja pela calçada nas ruas e pelo pequeno eléctrico, o "bonde", leia-se "bom-dji-nho"!
Para além de todas estas coisas agradáveis,existem centenas de favelas no estado do Rio de Janeiro. Elas são tão famosas e mediáticas, que surpreendentemente, deparámo-nos com agências que faziam "tours" ao interior de uma favela. Achamos o facto pouco interessante, e preferimos a península de Noterói, onde visitamos o Museu de Arte Contemporânea, projecto de Oscar Niemeyer.
Passamos um dia em Teresópolis, cuja maior atracção são as suas paisagens e tesouros naturais, como o surpreendente Dedo de Deus, e outros, inseridos no Parque Nacional Serra de Orgãos.

10-03

Como esta coisa de viajar é dura, decidimos tirar umas férias e seguir para a calma Ilha Grande. Apanhamos um barco em Angra dos Reis, e dirigimo-nos para Vila Abraão, o maior aglomerado urbanizado da ilha, mas ainda assim tão pequeno que os dois únicos carros que circulam pelas ruas de terra batida são os dos bombeiros e policia.
A floresta tropical virgem rodeia as praias paradisíacas de areia branca, e o próprio enquadramento de Abraão, torna todo o conjunto bastante pitoresco.

13-03

Chegamos à cosmopolita mega-metrópole de São Paulo.
Aqui encontramo-nos com o Nuno, que cheio de trabalho, ainda teve tempo para almoçar e jantar connosco, e para nos dar um "tour" pela "S. Paulo by night"!
Inúmeros helicópteros sobrevoam a cidade durante o dia, transportando grandes empresários aos seus compromissos de trabalho, enquanto cá em baixo, km de filas de automóveis deixam os meros mortais à beira de um ataque de nervos. Nas noites de fim de semana, também são normais os congestionamentos de trânsito, quando milhares de paulistas saem à rua para desfrutar da excelente oferta de restaurantes, bares e discotecas da cidade.
Visitamos o centro histórico, as principais ruas e avenidas de S. Paulo, alguns museus, o instituto Butantã, famoso pelo desenvolvimento de soros para picadas de serpentes e aranhas, e o parque de Ibirapuera.

16-03

"Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher perfeita. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein." Oscar Niemeyer

Inaugurada a 21 de Abril de 1960, a capital brasileira foi criada com o objectivo de aproveitar e desenvolver os abundantes recursos dos territórios interiores do país. Brasilia foi idealizada por três famosos brasileiros: um urbanista (Lúcio Costa), um arquitecto (Oscar Niemeyer) e um paisagista (Burle Marx). Pensada e organizada segundo as directrizes na Carta de Atenas de Le Corbusier, Brasilia é uma capital do futuro. Em forma de avião, cada zona da cidade está perfeitamente destinada a um fim, como por exemplo, hotelaria, comércio, edifícios diplomáticos, etc. As zonas verdes abundam, as avenidas são larguíssimas, já para não falar nas fantásticas criações de Niemeyer. Nem saberia por onde começar a enumerá-las, de tão extravagantes e únicas que são! Um verdadeiro desafio para a engenharia. A cidade é, sem dúvida, a não perder, especialmente por arquitectos e engenheiros!

19-03

Visitamos a Chapada de Guimarães, terra de formações e fenómenos impressionantes, tal é a quantidade de gente que vê ovnis por aqui. Não sei se é por causa da energia que se diz haver na zona, ou dos cogumelos mágicos que brotam por toda a parte!? Fica a dúvida!

19 Fevereiro 2007

Quando foi a última vez que viste algo pela primeira vez?!

VEJAM OS LINKS ACIMA "INSTANTES" E "MOMENTOS", QUE CORRESPONDEM A FOTOS E FILMES, RESPECTIVAMENTE!!

No seguimento de inúmeras reuniões e a pedido de várias famílias, acordámos eleger, por unanimidade, a Ana Tem Tem ("pudu pudu") como membro honorário da expedição! Esta nomeação é mais que merecida, no entanto é condicional... fica sujeita a uma jantarada de celebração a qualquer latitude e em data a estabelecer! Adeus Ana...!!

09-01

A Península de Valdés é uma das reservas mais ricas da Argentina, em termos de fauna selvagem. Pinguins de Magalhães, lobos marinhos, elefantes marinhos, baleias, orcas, todos coabitam por aqui! É um deleite para nós, que normalmente só vimos este tipo de animais num zoo. Visitamos ainda Punta Tombo, uma reserva com cerca de 800.000 pinguins. Eles andam por todo o lado, e tão próximos que nos arriscamos a levar uma bicada! Fazemos ainda uma volta de barco para ver toninas, uma espécie de golfinho branco e preto único.

13-01

Chegamos a Sarmiento. Parece que decorre uma feira da tosquia dos cordeiros patagónicos! Resultado? Não há alojamento disponível! Ficamos então em casa de uma típica família argentina. Bebemos mate à noite na companhia de todos, um ritual que se repete por toda a Argentina. O pequeno-almoço também é maravilhoso e farto. Visitamos o museu local, o bosque petrificado, autenticas árvores cuja madeira foi substituída por pedra!

16-01

Ushuaia é o próximo destino. Para chegar lá, temos obrigatoriamente de cruzar a fronteira com o Chile, e voltar a entrar na Argentina. Entramos na Terra do Fogo, após passar o canal de Magalhães em Ferry. Ushuaia é, de facto, a cidade mais austral... da Argentina! A verdade é que cerca de 60 km mais a sul, localiza-se Puerto Williams, essa sim, a cidade mais a sul do mundo, no Chile! Apesar disso, Ushuaia ficou com a fama internacional, e é visitada por largos milhares de turistas todos os anos, enquanto Puerto Williams, realmente parece o verdadeiro fim do mundo! No entanto, não vamos lá! A discussão à volta do assunto entre Argentina e Chile, resulta na não existência de um transporte regular entre Ushuaia e Puerto Williams, e a cidade chilena mais próxima também é demasiado longe, o que faz com que o preço do transporte seja exageradamente alto!
Em Ushuaia fazemos uma caminhada pela costa do Parque Nacional Tierra del Fogo, damos um passeio de barco pelo canal Beagle, visitamos museus e deambulamos por esta cidade extremamente turística. É daqui o principal porto de partida para cruzeiros de 11 e 18 dias pela Antárctica. Uma viagem certamente única, cujo preço mais baixo, comprando o bilhete em Ushuaia e a poucos dias do embarque, "last minute ticket", é de US$3000!

23-01

Cruzamos para o Chile, um dia em Punta Arenas e rumamos a Puerto Natales. No dia seguinte entramos novamente na Argentina, chegamos a El Calafate! A cidade de El Calafate vive inteiramente do turismo. O Parque Nacional Los Glaciares alimenta toda a cidade, e não é para menos, é realmente fantástico! Como o próprio nome indica, o parque tem vários glaciares, e todos impressionantes. Fazemos uma viagem de um dia em barco pelos lagos glaciares e um minitrekking sobre o glaciar mais famoso e visitado do parque: o glaciar Perito Moreno. Terminamos a mini-caminhada de 2 horas pelo fantástico glaciar azul com um whiskey arrefecido com gelos centenários! Assistimos ainda a vários desprendimentos do glaciar (consegui filmar um deles, vejam-no!), e foi nesta altura que escutámos uma curiosa e interessante conversa entre o Zé Bigodes, o Manel da Pinga, e o Dr. Geo. Foi mais ou menos assim:

Zé Bigodes - Dasseee, granda cubo de gelo!
Manel da Pinga - É maior que o estádio do Dragon, carago!
Dr Geo - É uma glaciar! De facto é o maior glaciar em avanço do mundo, ou melhor, neste momento não está a avançar, porque grandes bocados de gelo estão continuamente a cair (um bocado do glaciar cai estrondosamente sobre a água e interrompe o Dr. Geo)
Manel da Pinga - Mas se isto está sempre a cair, daqui a pouco desaparece..
Dr. Geo - Alguns irão desaparecer em poucos anos. Este glaciar em particular mantém-se estável! O coração do glaciar é a zona de acumulação, onde a neve cai, e à medida que o peso aumenta, compacta até se transformar em gelo.
Zé Bigodes - Mas o que é que o empurra para se mexer tanto?
Dr. Geo - O peso da neve força o glaciar a mover-se para baixo. À medida que se desloca, o gelo derretido no fundo mistura-se com a pedras e solo, criando uma espécie de lubrificante que o faz avançar ainda mais. Todo o movimento cria várias fendas entre o gelo, chamadas crevasses.
Zé Bigodes - Aííí! Olha aqueles bocados azuis!!!
Manel da Pinga - Fonix!! Temos de engarrafar isto e levar pra Portugal pra vender!!
Dr. Geo (enquanto ajusta os óculos) - O gelo é azul porque está muito compactado, já não tem ar lá dentro, absorvendo todas as cores do espectro, excepto a azul, que reflecte. Se o gelo é branco, significa que é novo. Outro dado importante acerca dos glaciares, é que estes armazenam cerca de 75% da água potável do mundo.
Manel da Pinga - Zé, imagina que os cubos de gelo em todo o mundo se derretiam! (ambos olham para o céu e chegam à brilhante conclusão que talvez, talvez hoje o sol esteja suficientemente forte...)
Zé Bigodes - Vamos dar de frosques e vestir o fato de banho!

E foi assim!!! Vejam as fotos...

26-01

Vamos em direcção a El Chalten, onde fazemos uma caminhada de 3 dias à volta do cerro Fitz roy e cerro Torre, duas fantásticas formações graníticas célebres entre os escaladores de todo o mundo!

29-01

Voltamos a Puerto Natales. Aqui celebramos o 28º aniversário da Silvia, num restaurante bem catita! Nós três e a Anna, uma italiana que nos acompanha na viagem já há duas semanas. Comemos bem, bebemos ainda melhor! A Silvia sopra as velas e abre as prendas. Foram só coisas úteis para a próxima caminhada que vamos fazer, tais como toalhetes, chá, chocolates, etc, e ainda um bico da camping gaz e um recipiente para líquidos! No dia seguinte acordamos tarde e tratamos das compras para os sete dias no Parque Nacional Torres del Paine.

31-01

Mundialmente famoso, e provavelmente o mais visitado entre os amantes de trekking na América do Sul, o Parque Nacional Torres del Paine deve o seu nome às monstruosas torres de granito que dominam a paisagem. A rodeá-las, está o pico Paine Grande e os cornos de Paine, formações de base granítica e cabeça sedimentar, cuja fotografia é capa de livros por esse mundo fora.
Caminhamos sete dias, de acampamento em acampamento, percorrendo um circuito denominado "w"! Apanhamos chuva, frio, neve, muito vento, e uns momentos de sol que sempre surgiram quando precisávamos, para contemplar estas paisagens fantásticas! Foi no meio de glaciares e lagos que após 6 meses e meio de viagem, encontrámos o primeiro português mochileiro que está a fazer uma viagem semelhante à nossa, o Ricardo!! Visitem o seu blog: www.perdidonaprocura.blogspot.com

08-02

Entramos num barco que nos leva durante 4 dias através dos fjords patagónicos, até Puerto Montt. Transporta mercadorias! Uns contentores cheios de sabe-se lá o quê, e outros, abertos, apinhados de vacas, cavalos e ovelhas, estas últimas tão apertadas que nem chegam com as patas ao chão! Uma parte do barco é dedicada ao transporte de passageiros, esta sim, bem arranjada, organizada por quartos com beliches de quatro categorias distintas. Apanhamos um péssimo tempo no primeiro dia de viagem, muita chuva e vento, mas os seguintes foram óptimos dias de sol. Durante a viagem, desfrutamos dos glaciares e dos desabitados fjords patagónicos, por vezes tão estreitos, que parece que o barco não passa através deles! Desembarcamos durante uma hora em Puerto Eden, uma pequena aldeia piscatória e casa da quase extinta comunidade indígena Qawashqar.
Jogamos cartas, vimos filmes e documentários, à noite há festa, bingo patagónico, lemos, escrevemos, bebemos, entretemo-nos! Chegamos a Puerto Montt e vamos directos para Chiloe.

13-02

A ilha de Chiloe manteve-se relativamente afastada do resto do Chile, não sendo influenciada pela colonização, e consequentemente, criou a sua própria história e cultura, evidente principalmente na sua arquitectura, com 16 igrejas reconhecidas pela UNESCO!

15-02

Vamos em direcção a Buenos Aires. Aqui também nos separamos da Silvia, que vai continuar viagem com a Anna por mais umas semaninhas, até voltar para Portugal! A ideia é encontrarmo-nos todos em S. Paulo, na companhia do Nuno, e fazer uma festa de despedida!

Buenos Aires é vida, é emoção, é presunção, é elegância, é sensualidade, é movimento, é tango! Viver a parte velha da cidade, com vendas de antiguidades, música e tango de rua, é algo especial, que nos transporta nem sei para onde nem para quando, mas o certo é que nos transporta!
Esta imponente e enorme cidade é diferente, no entanto, familiar!

06 Janeiro 2007

Da terra Inca à Mapuche

30-11

Cuenca é a terceira maior cidade do Equador, e faz concorrência a Quito, quando se fala em arquitectura colonial bem preservada. Quito ganha em termos de grandiosidade, e Cuenca em termos de beleza. A sua principal exportação são os chapéus de panamá, ou Montecristi. Por aqui damos umas voltas pelo centro histórico e vivemos um pouco a cidade. Vamos ainda ao P. N. Cajas, e fazemos um trekking de cerca de 4 horas por lá. O parque situa-se maioritariamente entre os 4000 e os 4500 m.s.n.m., e é constituido por 235 lagoas de origem glaciar e fantásticos bosques de quinua (Polylepus), ou árvore de papel, cujos troncos se desfazem em inúmeras camadas (como o bolo mil folhas). Esta é a única espécie de árvore no mundo que sobrevive a tal altitude, e entrar num bosque destes é como viver uma cena de um conto de fadas.

04-12

Seguimos para Puerto Lopez, uma pequena e simpática vila piscatória, localizada na proximidade do P. N. Machalilla. Para além da parte continental, o parque inclui ainda a Isla de la Plata. Reza a história que o pirata ¿Sir? Francis Drake enterrou nesta ilha tesouros saqueados aos espanhois, fruto das suas investidas à apetecivel Cartagena. Realidade ou ficção, só as aves que habitam a ilha o saberão! Picadeiros de patas azuis, de patas vermelhas, mascarados, fragatas, pelicanos. Entre Abril e Outubro podem-se ver albatrozes por aqui e entre Junho e Setembro, a observação de baleias é garantida. Para além disso, o snorkeling nas barreiras de coral é uma grande atracção. Por tudo isto, esta pequena ilha é denominada "pequena Galápagos", ou "Galápagos dos pobres"! No dia seguinte visitámos a parte continental do parque durante a manhã. À tarde, às 14:45h, sentei-me num bar, pedi umas cervejas e vi em directo o Manchester United - Benfica...

07-12

Seguimos para Guayaquil, onde às 11:30h apanhamos um autocarro de 24 horas que nos vai levar até Lima, Peru.

ESPECIAL EQUADOR

À escala da grande parte dos países da América do Sul, o Equador é minúsculo! No entanto a diversidade de ecossistemas é enorme: um dia podemos estar a apanhar banhos de sol na costa do Pacífico, no outro a ascender um vulcão de 5000m, e no terceiro dia a suar e enxutar mosquitos do cu no meio da selva tropical! Há de tudo para todos os gostos! A nossa viagem foi feita maioritariamente pelos Andes centrais, corremos toda a "Avenida dos Vulcões", tomámos banhos nas águas aquecidas pelo magma, fizemos trekkings fantásticos, andámos pelos mercados de artesanato andinistas! É provavelmente o país sul americano onde se pode ver mais em menos tempo!

08-12

Chegamos a Lima, alojamo-nos e compramos um bilhete de avião que nos leva a Tacna no dia seguinte. Temos o objectivo de entrar no Chile e descer até à Patagónia, uma vez que em Dezembro começa a época das chuvas no Peru e Bolivia, mas também começa o verão na Patagónia, que seria insuportavelmente fria noutra época que não os meses de Janeiro e Fevereiro!
Aterramos em Tacna, passamos a fronteira para o Chile, e apanhamos um autocarro para Calama. Aqui visitamos a maior mina de cobre a céu aberto do mundo, Chuquicamata, com uma exportação anual de cerca de 1 milhão de toneladas. Cada um destes pequenos camiões de transporte pode carregar até 400 ton, e tem uns pneus com 3 metros de diâmetro.


12-12

Chegamos a S. Pedro de Atacama, uma vila cujas casa são construídas em adobe, imensamente turística. Todos os dias chegam largas dezenas de gringos, e é impressionante a concentração de hotéis, bares, restaurantes e agências de organização de tours. Deverá ser uma das maiores densidades em todo o mundo. E não é para menos! San Pedro está estrategicamente localizada, bem perto das melhores paisagens do norte do Chile, junto ao deserto de Atacama. Conhecemos o vale da lua, chamado assim devido à sua semelhança com a superfície da lua, originada pelos milhões de anos de erosão. Com o pôr do sol, a paisagem transforma-se, num jogo de sombras e cor fantásticos. No dia seguinte, saímos às 04:00h em direcção aos geysers El Tatio! Os geysers estão localizados a uma altitude de 4320m, o mais alto parque de geysers do mundo, e o nascer do sol é a melhor altura para os ver. O frio de rachar a esta hora permite-nos caminhar através de um gigantesco banho de vapor. Visitamos ainda o salar de atacama. Com uma superfície de 320.000 ha, este deserto salgado foi provavelmente uma lagoa de água salgada, formada após a elevação da cordilheira dos Andes à sua volta.

17-12

Chegamos a Santiago, após 20 horas dentro de um autocarro. A sensação é a mesma de chegar a uma capital europeia. A cidade é moderna e organizada, e os preços disparam, em comparação com o resto dos países da América do Sul. A vida no Chile é cara, caríssima, e por isso não podemos ficar muito tempo por aqui! Vamos cruzar os Andes e passar para a Argentina e voltar ao Chile as vezes que forem necessárias para visitar locais de interesse.
Em Santiago caminhamos pelo centro, vamos à casa-museu do Pablo Neruda, ao museu de arte pré-colombino. Visitamos ainda Valparaiso, uma cidde recentemente considerada património da UNESCO, merecido pelas suas colinas e sistema de elevadores que alternam entre a cidade moderna e a cidade velha. Por aqui visitamos outra casa-museu de Pablo Neruda, La Sebastiana. Em Santiago voltamo-nos a encontrar com a Silvia, que ficou no Peru a conhecer Machu Pichu, Lago Titicaca e Cañon del Colca.

22-12
Cruzamos os Andes. São paisagens fantásticas vistas através da janela de um autocarro. Chegamos a Mendoza, já do lado argentino. Mendoza intitula-se capital do vinho, e para além disso, o principal ponto de interesse é a sua proximidade do Aconcagua. É aqui que vamos passar o Natal. Ficamos num bom hostal, com óptimas zonas comuns e uma boa cozinha. O cardápio é português: bacalhau à gomes de sá, pasteis de bacalhau, cabrito, rabanadas, arroz doce, ¿gelatina?, e tudo acompanhado de um belo vinho argentino. Apesar de estarmos afastados de casa e da família, a comida sabe um pouco ao nosso belo Portugal! À meia-noite trocamos os presentes!
Passamos o dia de Natal a recuperar da noite anterior e a comer as sobras do jantar! Não fizémos rigorosamente nada!

26-12

Iniciamos um trekking de 3 dias até ao campo base do Aconcagua, o pico mais alto do continente americano, com 6962 m.s.n.m. As paisagens são fantásticas, os Andes não nos deixam ficar mal. A organização do Parque é exemplar: existe um helicóptero permanente e várias tendas médicas nos campos base e avançados. Acabamos por usufruir deste serviço, uma vez que a Tânia fez um pequeno entorse no pé, resultado de uma queda aparatosa!
Nos meses de verão, os caminhantes e andinistas são aos milhares, não é por menos, estar sobre uma montanha tão imponente é uma recordação para a vida. O que também é impressionante é o cemitério de andinistas, que guarda as memórias de vários corajosos que perderam a vida a tentar conquistar o cume do Aconcagua. Os corpos de muitos deles ainda se mantém perdidos no meio das neves perpétuas.

29-12

Chegamos a San Carlos de Bariloche, a estância de ski mais famosa da América do Sul. Temos visitas: O nuno e a Ana vêm ter connosco! E o Nuno já pela segunda vez, após o nosso encontro em Manaus. Foi reconhecido como membro honorário da "expedição"!!
Bariloche é como a "Suiça da América do Sul", as casas com telhados com águas de grande inclinação e as dezenas de lojas de delicioso chocolate indicam muita neve e frio durante o inverno. Estamos na zona dos lagos, e no início da Patagónia. O Parque Nacional Nahuel Huapi está bem próximo da cidade e foi o primeiro P. N. criado na Argentina. Vamos a um restaurante de Parrillada na passagem de ano, uma bela dose da excelente carne argentina regada com igualmente bom vinho. Depois da meia-noite e entrada em 2007 na companhia de vários turistas de distintas nacionalidades, vamos a um bar de tango onde tentamos dar uns humildes passos... não é nada fácil!!
Alugamos um carro, fazemos a estrada dos 7 lagos, várias horas por terra batida, à beira dos lagos!
Deixamos os nossos amigos partir em direcção a Buenos Aires. Soube bem ter visitas portuguesas. Pode ser que ainda nos encontremos mais tarde durante a viagem... quem sabe!?

05-01

Chegamos a Esquel, onde entramos numa viagem no tempo! Embarcamos no "La Trochita", o velhinho expresso da Patagónia...

08-01

Puerto Madryn é o proximo destino, porta de entrada da Península de Valdés!!

02 Dezembro 2006

De Baños ao Nariz del Diablo

NOVA FUNCIONALIDADE DO BLOG: CLIQUEM NO LINK ACIMA ONDE DIZ "VEJAM O ROTEIRO FOTOGRÁFICO!!!". AÍ ESTÃO DISPONÍVEIS DEZENAS DE FOTOS DA VIAGEM...


22-11

Chegamos a Baños. Completamente rodeada de montanhas verdejantes e com o activo vulcão Tungurahua sobre a cidade, o acompanhamento por parte da Protecção Civil é constante, e os caminhos de evacuação estão bem marcados pelas ruas! O Tungurahua entrou em erupção em 1999 e até hoje não parou de fazer sentir a sua presença, originando várias evacuações da cidade. No entanto, actualmente, o estado de alerta é amarelo, e a vida corre com relativa normalidade para os habitantes de Baños, sendo que o Tungurahua só se tem manifestado pela forma de fumo e algumas cinzas!
Mas um vulcão activo como este não traz só coisas más. As águas quentes que cria são um excelente atractivo turístico, e a observação de um vulcão em erupção é algo que não se vê todos os dias!
Ficamos 5 dias por aqui. Experimentamos cuy, ou porquinho da india assado, usual por estas bandas, vamos aos banhos quentes, caminhamos pelas montanhas circundantes, alugamos bicicletas e descemos 22 km a acompanhar várias cascatas, até chegar à mais famosa de todas elas, o Pailón del Diablo.
Aqui também reencontramos os nossos amigos, Edgar e Mark. Cruzámo-nos sem dar conta na Venezuela, em Ciudad Bolivar, e conhecemo-nos na caminhada à "Ciudad Perdida", na Colômbia. Desde aí, já cruzámos caminhos e partilhámos roteiros em várias ocasiões: Santa Marta, Cartagena, Medellin e Bogotá, novamente em Quito e agora em Baños! O Edgar é mexicano, o Mark norte-americano, e estão a viajar por todo o mundo, com pequenos meses de intervalo, em que trabalham onde lhes convém, e juntam mais alguns dólares para prosseguir viagem! As maravilhas da internet permitem-lhes trabalhar sempre para a mesma empresa de informática, de forma remota! Neste momento dirigem-se para Buenos Aires onde vão estabilizar durante dois meses. Provavelmente vamo-nos encontrar outra vez, algures na Patagónia argentina!

27-11

Seguimos para Riobamba, onde os principais atractivos são o vulcão Chimborazo e a espectacular viagem de comboio até ao Nariz del Diablo. O vulcão Chimborazo é o ponto mais alto do Equador, com 6310m. Alugamos bicicletas, subimos de carro até aos 4800m, caminhamos até ao refúgio a 5000m, e fazemos downhill através de caminhos com paisagens fantásticas e cheias de emoção. São 4 horas de intensa e espectacular descida, até cerca dos 2500m de altitude!
No dia seguinte, embarcamos às 06:00h no comboio mais atribulado e fantástico onde já viajámos! Todo o trajecto é feito no tecto do comboio, na companhia de dezenas de outros "gringos"! São 5 horas até chegar ao Nariz del Diablo, um revolucionário feito de engenharia do início do séc. XX, que permite vencer um desnível de 800m através de movimentos de avanço e retrocesso da locomotiva. Antigamente parte da importante ligação entre as duas principais cidades do Equador, Quito e Guayaquil, hoje em dia, esta linha serve principalmente fins turísticos, e o seu mau estado de conservação junta mais emoção à viagem. O comboio descarrilou três vezes durante o trajecto!! Um mal menor que faz parte da aventura!!!

Seguimos no mesmo dia para Cuenca.

25 Novembro 2006

EQUADOR - Avenida dos vulcões

ESPECIAL COLÔMBIA




A Colômbia, ou "Locombia", surpreendeu... muito pela positiva! Famosa pelos seus mitos, cocaína, guerrilhas, paramilitares, esmeraldas, e o misterioso El Dorado, a ilusão que moveu os espanhois selva a dentro à procura das inexistentes inimagináveis montanhas de ouro; a Colômbia é ainda a terra de Gabriel Garcia Marquez, Fernando Botero, e de um povo com uma simpatia e hospitabilidade fora do comum, equiparada aos brasileiros!
Mas a turbulenta história deste país, torna-o num dos mais temidos, e consequentemente, menos visitado, tanto pelo turista estrangeiro, como pelo local!
Os conflitos remontam já à época da independência, 1819, opondo centralistas a federalistas. Anos mais tarde, são formalizados dois partidos políticos: conservativos (com tendências centralistas) e liberais (com ligações federalistas). Os conflitos sucedem-se, até culminar na mais sangrenta guerra civil jamais vivida na Colômbia, a "La Violencia", em 1948, que deixou mais de 300.000 vítimas mortais. Mais tarde são criadas várias forças guerrilheiras, todas com ideais liberalistas que remontam à "La Violencia", sendo as mais significativas as FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) , a ELN (Ejército de Liberación Nacional) e a M-19 (Movimiento 19 de Abril). Neste momento só as FARC e a ELN se encontram ainda no activo, com uma força de 18.000 e 5.000 homens, respectivamente. Tendo perdido o apoio de Moscovo e Havana, estes grupos guerrilheiros baseiam-se agora na extorção e rapto para financiar a sua luta! A cocaína é também um importante meio de financiamento para estes grupos, havendo áreas no país completamente sob seu controle!
Os carteis de droga iniciaram-se na década de 70, sendo os principais, o de Medellin, de Pablo Escobar, e mais recentemente, o de Cali, dos irmãos Rodriguez Orejuela. A Colômbia controla cerca de 80% do mercado mundial de cocaína, um negócio de 6 biliões de USD anuais!!
Após várias tentativas falhadas de controle das terras perdidas para as guerrilhas, foram criados exércitos particulares, denominados paramilitares, de direita, responsáveis por vários massacres a camponeses e comunidades indígenas suspeitas de apoiar as guerrilhas. Hoje em dia, estes exércitos, também já funcionam sob o lucrativo negócio da cocaína! Há dúvidas em relação a qual destes dois grupos será mais violento, guerrilhas, ou paramilitares!
Mas o que é certo é que durante a nossa estadia de cerca de um mês na
Colômbia, não sentimos qualquer tipo de insegurança derivado de qualquer destes dois grupos opostos, apesar de em Medellin termos experimentado um ataque com gás lacrimogéneo, e durante a nossa estadia em Bogotá ter rebentado um carro bomba perto de uma universidade local! De qualquer forma, a recordação que fica é a de um país com pessoas maravilhosas, e um sem número de fabulosos frutos tropicais, a maioria nunca tinha sequer ouvido falar: coruba, carambola, guanábara, zapote, granadilla, lulo, tomate de árvore, tamarindo, borojó, só para nomear alguns! Ao pequeno-almoço marchava sempre um "jugo" de um destes frutos exóticos!!!



02-11

Sem grandes complicações para atravessar a fronteira, chegamos a Otavalo! Aqui temos o nosso primeiro grande contacto com puros indígenas. Nesta pequena cidade andina encontramos um fabuloso e dos mais importantes mercados sul-americanos. Todos os Sábados descem a Otavalo centenas de indígenas que literalmente inundam as ruas e praças com as suas fabulosas peças de artesanato andinas. É a completa loucura! Chegamos ao final do dia exaustos! É pena que não possamos comprar muito...trazemos a casa às costas!!
A indumentária tradicional abunda pelas ruas e a mistura de raças também, indígenas e mestiços cooperam pelas ruas da cidade, anulando preconceitos ancestrais.
Aqui também se inicía uma fantástica paisagem, cheia de vulcões e lagoas! São visões que não cabem nos olhos, e que nos irão acompanhar durante grande parte da nossa viagem para sul.
Nas redondezas de Otavalo, subimos a uma aldeia indígena, Peguche, e vislumbramos a origem e manufação das várias tapecarias e peças de artesanato que ao Sábado descem à cidade. Fazemos ainda dois trekkings bem interessantes: um deles que percorre todo o perímetro da Laguna de Cuicocha, uma bela lagoa sediada na cratera de um vulcão extinto; o outro às Lagunas de Mojanda e ao pico do vulcão Fuya Fuya, com 4263 m! Daqui tivemos a sorte de ter alguns escassos minutos de tempo limpo, que nos permitiu deslumbrar uma fantástica vista de 360º sobre os vulcões nevados circundantes.

09-11

Chegamos a Quito. Com um centro histórico reconhecido pela UNESCO, obviamente que a arquitectura colonial está bem preservada e abunda! Ficamos hospedados na "Cidade Nova" ou "Gringolândia", como é designada! Aqui atropelam-se os cafés, restaurantes, bares, hoteis, cybercafés, e agências de viagem. Foi neste bairro que encontrámos a tasca portuguesa do sr. Carlos Guimarães, onde jantámos um belo coelho, entrecosto e camarões à boa moda tuga! Ficamos 5 dias em Quito. Visitamos o centro histórico e um dos ex-libris do Equador: a "mitad del mundo", o local onde está devidamente assinalada a linha do equador. Obviamente que este ponto especifico do planeta não tem qualquer importância, o que se passa é que a maior parte dos outros pontos do globo atravessados pela linha são, ou selva, ou mar, sendo que esta zona montanhosa do Equador se tornou o local perfeito para estudar e calcular a localização da linha. Estes cálculos foram efectuados em 1736, de onde se criou o sistema métrico, e se provou que o planeta não era perfeitamente esférico. Um grande monumento e afins infraestruturas turísticas foram erigidas aqui, para assinalar devidamente o local.
Foi perante todo este aparato que nos deparámos com uma grande e inesperada surpresa: a linha está mal marcada!!! Está cerca de 240 m para Oeste da verdadeira linha do equador!! Descobrimos isto só depois de termos pago a entrada do parque e tirado as fotos com um pé em cada hemisfério!! Dirigimo-nos então à verdadeira linha do equador, cuja veracidade é comprovada através de GPS.

13-11

Seguimos par Machachi, ponto de partida para caminhar até aos Ilinizas. A caminhada dura cerca de 4 horas, sempre no sentido ascendente, metade do caminho com neve. Chegamos ao refúgio, a cerca de 4650 m, comemos o nosso "boxlunch" e continuamos por mais meia-hora. Voltamos para baixo. Começam aqui a manifestar-se os efeitos de altitude: dor de cabeça, nauseas.

16-11

Entramos no Parque Nacional Cotopaxi. Tentamo-nos aclimatizar! Subimos ao refúgio Jose Rivas, de onde vamos tentar a ascenção ao vulcão Cotopaxi. Voltamos para baixo. No dia seguinte fazemos uma caminhada de cerca de 5 horas a 3800 m de altitude. Voltamos ao nosso "lodge", onde descansamos pela tarde.

18-11

Cerca das 14h dirigimo-nos ao refúgio Jose Rivas onde bebericamos um chá e mordiscamos umas bolachas. O refúgio está completamente rodeado de neve, tem caído forte nos últimos dias! Testamos o equipamento, praticamos quedas no glaciar, tiramos fotos do fantástico pôr-do-sol e vulcões circundantes. Jantamos e vamos para os beliches, cerca das 19h, para descansar. Às 00:00h levantamo-nos com a sensação de estarmos acordados há dois dias! O pequeno-almoço cai mal! Dor de cabeça, vómitos e voltas intestinais dominam as hostes! Cerca da 01:20h iniciamos a ascenção. Vamos encordados, o risco de queda em crevasses é um factor importante a ter em conta! Não está excessivamente frio, e a grande quantidade de neve recente, dificulta muito a subida. Os crampons e piolet não servem os seus propósitos na totalidade! É uma longa ascenção, dos 4800 m do refúgio, aos 5897 m do cume! Às 05:30 estamos a uma altitude de cerca de 5300 m! Os sintomas de falta de aclimatização são intensos, o sol nasce, faltam 597 m para o cume, a neve é péssima, a pendente é de cerca de 60º! São mais quatro horas para cima, pequenas bolas de neve rolam pela encosta iluminada pelos primeiros raios de sol! Do excelente curso de iniciação ao alpinismo, promovido pela ADA Desnivel, em que participei (cujos formadores foram João Garcia, Rui Rosado e Bruno Carvalho, que recentemente ascenderam ao Shisha Pangma, 8013 m, com um fim trágico para o Bruno), aprendi que os males de altitude são um factor a ter muito em conta, e a neve, nas condições em que estava, com o sol a bater forte, e numa pendente grande, é o ingrediente que falta para uma avalanche! Decidimos descender! A montanha é quem manda!
Este magnífico vulcão, ainda activo, é exactamente a imagem que temos desde pequenos! Uma figura perfeitamente cónica!
Dormimos o resto do dia!


20-11

Seguimos para Latacunga, onde visitamos a famosa Lagoa Quilotoa, encaixada 400 m na cratera de um vulcão.

06 Novembro 2006

De Cartagena de Indias à fronteira com o Equador

DEVIDO AO EXAGERADAMENTE ELEVADO VALOR DOS VOOS DE LISBOA/MADRID PARA LIMA E TAMBÉM PORQUE EM DEZEMBRO É ÉPOCA DAS CHUVAS NO PERU, VAMOS ALTERAR O NOSSO ROTEIRO, SEGUINDO PARA SANTIAGO DO CHILE NA PASSAGEM DE ANO! ISTO PERMITE-NOS DESCER E APANHAR O VERÃO NA PATAGÓNIA!

12-10

Cartagena de Indias é uma cidade para desfrutar sem pressa! Não se pode ter pressa! A cidade enlaça-nos e amarra-nos com o seu charme e beleza! Ficamos uma semana por cá!
Fundada em 1533, a cidade depressa se tornou o mais importante porto espanhol na costa das caraíbas, armazenando tesouros saqueados aos indígenas por toda a colónia, até que estes pudessem ser transportados para Espanha. Tanta riqueza concentrada torna-se um óbvio atractivo para o ladrão que rouba ladrão! Cartagena foi alvo de vários ataques de piratas, e só no final do séc. XVI se iniciou a construção das muralhas e fortes que rodeiam toda a cidade, tornando-a, dois séculos depois, intransponível a qualquer investida exterior.
Hoje, Cartagena de Indias é uma viagem no tempo! As ruas mantém-se intactas, a arquitectura colonial está extraordinariamente bem conservada, as praças, as igrejas, as muralhas, os fortes, os palácios, os museus, transportam-nos de uma forma mágica! À noite, a iluminação artificial dá-nos outra visão da cidade, igualmente bela! As ruas enchem-se de gente, os restaurantes, os bares, as praças acomodam vendedores de tudo e mais alguma coisa. A cultura e a arte respiram-se por todas as esquinas. Foi neste ambiente envolvente, que no dia 16 celebrámos o aniversário da Tânia, num restaurante catita, estrategicamente colocado sobre a praça mais animada da cidade! As prendas foram inúmeras, desde papel higiénico, repelente de insectos, palitos, cotonetes, fósforos, brincos, colares, etc! As velas foram apagadas ao som de dois mariachi que surpreendentemente apareceram ao mesmo tempo do bolo de aniversário! Uma noite para comemorar e relembrar!
Nas redondezas de Cartagena, fizémos algo que nunca haviamos feito, e dificilmente faremos outra vez... entrámos na boca de um vulcão... de lama!! O vulcão El Totuno tem cerca de 15 m de altura, e em vez de lava e cinzas, deita lama, um fenómeno causado pela pressão de gases emitidos pela matéria organica subterrânea. Estamos literalmente a boiar sobre um buraco com 2500m de profundidade cheio de lama, que supostamente tem propriedades terapêuticas.
Visitamos ainda o Parque Nacional Corales del Rosario, constituído por 23 pequenas ilhas de coral, onde fazemos snorkeling sobre fantásticos corais e peixes com cores magníficas.

18-10

Partimos em direcção a Medellin, segunda maior cidade da Colômbia e antiga capital da cocaína! Famosa pelo "patron Pablo Escobar" e pelo pintor e escultor Fernando Botero. Esta metrópole orgulha-se também do seu comboio que corre toda a cidade de uma ponta a outra. Visitamos o jardim botânico e o centro histórico, com a excelente "plazeta de las esculturas", uma praça recheda com as gordas e gordos de Botero.

20-10

Chegámos a Bogotá, capital da Colômbia. Estratégicamente colocada num imenso vale a 2600 m de altura, esta intensa metrópole deixa qualquer um boquiaberto...tanto pela sua organização, como pela qualidade dos seus museus e infraestruturas públicas. Aqui encontrámo-nos com a Deyanira. A Deyanira é colombiana. Conhecemo-la no barco entre Belém e Santarém, no Amazonas. Na altura ía a caminho de casa, Bogotá, onde está em processo de fundação de uma ONG ambiental. Acompanhou-nos e deu-nos algumas dicas sobre a cidade. Ensinou-nos ainda a fazer o "canelaço", uma deliciosa bebida com açucar de cana (panela), canela e aguardente de cana aromatizada com anís. Óptima para nos aquecer do frio que faz em Bogotá.
Por aqui visitámos o fantástico museu do Ouro, apinhado com tesouros pré-colombinos de diferentes culturas indigenas, o museu arqueológico, o museu de arte moderna, o museu nacional, o museu Botero, as igrejas e catedrais.
Nas redondezas de Bogotá, visitamos Zipaquirá, famosa pelas suas minas de sal, datadas de periodos pré-hispânicos. No interior de uma destas minas, a 120m de profundidade, visitámos a Catedral de Sal, com uma nave de 75m de comprimento por 18m de altura.

26-10

Viajamos 12 horas em direcção a Cali onde ficamos por 2 dias. Suposta nova capital da Cocaína na Colômbia, esta cidade é também famosa por ter as mulheres mais bonitas do país, as caleñas! Visitamos o excelente Zoológico de Cali, o melhor da Colômbia, e nas redondezas, as fazendas de cana de acuçar, onde pudemos acompanhar todo o processo, desde a recolha da cana até ao produto final, não refinado.

29-10

Chegamos a San Agustin, um dos pontos arqueológicos mais famosos e importantes do Continente Americano, e capital arqueológica da Colômbia, graças à sua enigmática cultura megalítica que se localizou nesta área, e ao facto de ser Património da Humanidade desde 1985. O parque compreende centenas de estátuas monumentais, que eram colocadas junto às sepulturas onde os corpos eram enterrados. Junto com os corpos foram encontradas várias peças em cerâmica e ouro. A cultura floresceu entre os séculos VI e XIV D.C. , mas foram encontradas peças que remontam ao século XXXIII A.C. ( 3300 anos), datadas através do sistema do Carbono 14!
Visitamos os diferentes locais onde foram encontradas as estátuas e sepulturas, a pé, de jeep e a cavalo! Este ultimo meio de locomoção deixou marcas no traseiro!!

01-11

De San Agustin partimos no objectivo de entrar no Equador, trocamos de autocarro em Mocoa e aí iniciámos um percurso de 133Km que demoramos 9 horas a concluir!! É uma estrada de montanha em terra batida que passa por paisagens fantasticas! Há uma parecida na Bolivia que se intitula "estrada da morte"; esta não é muito diferente! Poderia chamá-la de "estrada da sorte"!!
Pernoitamos em Pasto e rumamos a Tulcan, terra fronteiriça, já do lado Equatoriano!

14 Outubro 2006

Entrámos na Colômbia e descobrimos a Cidade Perdida!!!

AMIGOS:

ESTAMOS A ORGANIZAR UMA PASSAGEM DE ANO NO PERU, NOMEADAMENTE MACHU PICHU, CANION DE COLCA, LAGO TITICACA, LINHAS DE NAZCA! MUITO EM BREVE DAREMOS MAIS PORMENORES. ESTEJAM ATENTOS E VÄO PENSANDO NISSO COM EMOÇÄO!!!


28-09

Chegamos a Coro às 04:00h após uma viagem cansativa, encontramos um hotel e dormimos até ao meio-dia!
Coro é uma pequena e pacata cidade, capital do estado Falcon, cujos principais atractivos säo os seus bem preservados edificios coloniais e o Parque Nacional Medanos de Coro, que consiste num pequeno deserto, com enormes dunas e temperaturas altíssimas. Passamos dois dias aqui e partimos com o objectivo de entrar na Colômbia.

30-09

Deixamos Coro às 04:30h e dirigimo-nos a Maracaibo, 2ª maior cidade venezuelana, capital do petróleo e quente como o inferno! Foi nas redondezas do lago Maracaibo que os colonizadores espanhois, ao ver as fundaçöes indirectas das habitaçöes indigenas em estacas de madeira, ou palafiticas, sobre o lago, baptizaram esta nova terra de "pequena Veneza", diga-se, Venezuela. Também podemos ver exemplos deste tipo de fundaçäo na nossa bela terra, mais concretamente na Carrasqueira, Estuário do Sado. Aqui situa-se o único porto palafitico português.
Em Maracaibo rapidamente entramos num autocarro que nos leva até Maicao, conhecida como a "cidade sem lei", já na Colômbia! Mostramos o passaporte sete vezes, revistam toda a nossa bagagem ao pormenor, fazem perguntas, e carimbam-nos o passaporte com uma permissäo de 60 dias em terras colombianas!


ESPECIAL VENEZUELA


Venezuela!! Terra das rainhas da beleza, baseball e Petróleo!
Estivémos 36 dias neste país, viajámos de Sul a Norte, Este a Oeste. Obviamente näo vimos tudo, nem pouco mais ou menos, mas ficamos com uma ideia clara da Venezuela e dos Venezuelanos. Habitado por cerca de meio milhäo de emigrantes portugueses e seus descendentes directos, näo é difícil encontrar quem fale ou "arranhe" o português, ou "portunhol"! Desde cafés, padarias, supermercados, autocarros, hotéis, bancos, seguranças, comércio de um modo geral, o dedo luso está lá na grande parte dos casos, de Norte a Sul do país! Todos falam de Portugal com nostalgia e vontade de voltar algum dia, apesar dos laços serem cada vez menores. Estranham o facto de estarmos a viajar pelo país que escolheram para trabalhar! No hostal onde ficámos em Caracas, gerido há 27 anos por portugueses, fomos os 4ºs lusos que cá se hospedaram! Mas näo há nada para estranhar! A Venezuela tem uma beleza e uma diversidade de ecossistemas naturais dignos de ser visitados. Desde a savana à selva tropical, da montanha acima dos 5000m às praias paradisíacas, dos deltas às dunas, há de tudo! Também há delinquência e corrupçäo policial, os mais altos índices de toda a América do Sul! As pessoas, deduzo que como auto-defesa, säo de um modo geral hostis e pouco prestáveis a estranhos. Estäo a léguas da simpatia dos brasileiros! Para apimentar um pouco a situacäo, o país está à beira de eleicöes presidenciais, e a instabilidade e inseguranca intensificam-se. Prevêm-se tempos difíceis, qualquer que seja o candidato que vença, Hugo Chavez ou Manuel Rosales. Deixámos o país em boa altura!!


Em Maicao, trocamos os bolivares por pesos na rodoviária e compramos um bilhete para Santa Marta, onde chegamos cerca das 17h. Hospedamo-nos no hostal El Titanic, P$9000/pax dia. No dia seguinte passeamos pela cidade, a mais antiga da Colômbia, fundada em 1525. No entanto pouco resta da arquitectura colonial de entäo. Durante o dia organizamos actividades para os próximos dias: 2 dias de mergulho na costa do Parque Nacional Tayrona e o principal propósito da nossa visita aqui, o trekking à "Ciudad Perdida".

02-10

Passamos 2 dias na costa do Parque Nacional Tayrona a mergulhar. 4 mergulhos nas águas calientes caribenhas, entre os 15 e 20 m de profundidade, a desfrutar das barreiras de coral e da magnífica e colorida vida animal. Voltamos a Santa Marta perto das 16h de dia 03-10, uma data especial, a do meu aniversário, que comemoramos num restaurante acima do nível a que temos estado habituados! Surpreendem-me com um bolo de aniversário e uma caixa de televisäo significativamente pesada, que me deixou de certa forma alarmado, uma vez que a minha mochila já está a rebentar pelas costuras! Surpresa das surpresas, a caixa estava cheia com a minha roupa... a minha roupa que fugazmente me retiraram da mochila! O verdadeiro presente foi um livro, e uma garrafa de uma bebida daquelas que faz doer a cabeca no dia seguinte!Divertimo-nos à grande!! Obrigado por todos os comentários, mails e sms de parabéns!

04-10 - Dia 1

Iniciamos o trekking ao encontro da "Ciudad Perdida", ou Parque Arqueológico Teyuna. Cruzamos 3 rios, vencemos um desnível de 500m e descemos outros 300m, debaixo de uma tempestade tropical imensa! Entre escorregadelas, patas na poça e roupa imunda lá chegamos ao acampamento Adan, encharcados que nem uns pintos!

Dia 2

Para além de um acampamento para caminhantes, este local tem outros atractivos, nomeadamente, plantaçöes de coca e uma pequena fábrica do famoso pó branco! O Dr. Coca, como lhe chamam, tem um ou dois parafusos mal colocados, e vai daí, explora o local turisticamente. Leva-nos à sua pequena fábrica e mostra-nos todo o processo desde a folha até ao produto final! Quando vi näo acreditei! Säo utilizados 7 produtos diferentes, cada um pior que o outro: gasolina, sal, cal, ácido sulfúrico, pergamonato de sódio, soda cáustica e acetona!! Só vendo todo o processo é que se acredita! 1 kg de folhas produz aproximadamente 1 g do pó, isto se correr tudo na perfeiçäo, senäo säo 2 ou 3 kg para cada grama! Voltamos ao acampamento através de plantaçöes de coca e marijuana, e caminhamos em direcçäo ao 2º acampamento, o Gabriel.




Dia 3

Após caminhar pela montanhosa selva tropical virgem e atravessar o mesmo rio por 8 vezes, eis que surge uma escadaria com mais de 2000 degraus em pedra, mesmo sobre o leito do rio. Iniciamos a subida. Pouco depois começam a aparecer os primeiros muros de contençäo e vestígios do que já foi uma importante cidade pré-colombiana. Sentimo-nos uns descobridores. Cansados, passamos o final de tarde a desfrutar o local e pernoitamos por lá.

Dia 4

A "Ciudad Perdida" terá sido construída por volta do ano 700 D.C., por povos oriundos da América Central, que chegaram a estas paragens cerca de 500 D.C., os denominados Tayronas. A cidade foi idealizada com o objectivo de comportar um centro religioso, político e cerimonial, e de albergar cerca de 3000 habitantes. Os restos arqueológicos indicam uma cultura muito desenvolvida no campo da engenharia. Säo notáveis os muros de contençäo construidos sem utilizacäo de qualquer tipo de material coesivo, apenas pedra emparelhada. Com estes muros obtiveram-se grandes superficies horizontais que possibilitaram a construçäo de centenas de casas e locais cerimoniais. Também a água da chuva se tornaria um problema gravíssimo, se näo fosse habilmente encaminhada por filtros e numerosos canais de drenagem, em direccäo às diversas linhas de água naturais. Esta sociedade teve o seu auge por volta de 1000 D.C., com uma hierarquia bem definida, grandes agricultores e artesäos, uma excelente comunicaçäo e relaçöes comerciais com povos que viviam junto à costa. Por volta do ano 1600, e após o controle total por parte dos espanhois, a comunidade Tayrona, assustada, refugiou-se nas terras altas da Serra Nevada de Santa Marta. No entanto, os espanhois nunca encontraram a "Ciudad Perdida". Durante aproximadamente 370 anos a selva engoliu a cidade, e só em 1973 esta foi descoberta por "guaqeros", caçadores de tesouros colombianos! Hoje, o Parque Arqueológico Teyuna é considerado património histórico, näo prosseguem as exploraçöes arqueológicas, e o turismo é devidamente controlado.
Passamos o dia a deambular por aqui e voltamos ao acampamento.

Dia 5

Fazemos o caminho de regresso à aldeia onde iniciámos a caminhada e voltamos a Santa Marta, para 2 dias de recuperaçäo de energias e lavagem de roupa suja! Aproveitamos ainda para visitar o Museu do Ouro.

11-10

Chegámos à legendária e charmosa Cartagena!!!

28 Setembro 2006

Costa das Caraíbas

08-09

A Pousada Dom Carlos situa-se perto da Praça Bolivar, na zona histórica de Ciudad Bolivar, no estado Bolivar, na República Bolivariana da Venezuela, e um quarto ficou-nos por 40.000 Bs (Bolivares)!!
Simon Bolivar é o heroi nacional, o libertador, foi quem liderou a revoluçäo que culminou com a independência das agora Venezuela, Equador, Colômbia, Panamá, Peru e Bolivia. Com o fim das guerras napoleónicas, Simon Bolivar pôde recrutar 5000 veteranos britânicos, que juntamente com um exército a cavalo, marcharam através dos Andes e derrotaram as forças espanholas na batalha de Boyacá, trazendo independência à Colômbia em Agosto de 1819. Quatro meses mais tarde, em Angostura (actual Ciudad Bolivar) foi proclamado pelo congresso o novo estado de Gran Colômbia, unificando a Colômbia, Panamá, Equador, e Venezuela (apesar dos dois últimos ainda estarem sobre liderança espanhola). Em Junho de 1821 completou-se a libertaçäo da Venezuela, na batalha de Carabobo, seguindo-se o Peru e a Bolivia. O sonho de Bolivar de uma república unida, cairia mesmo antes da sua morte, menos de uma década depois da sua criaçäo, com a separaçäo da Colômbia, Equador e Venezuela. A separaçäo entre a Colômbia e o Panamá deu-se em 1903, com o apoio dos Estados Unidos da América, após a qual foi construído o canal do Panamá através do istmo da América Central.

Ficamos 3 dias em Ciudad Bolivar, a Pousada agrada-nos, a parte velha da cidade também. Aqui encontramos padarias geridas por portugueses, aveirenses no caso. Mas desenganem-se se pensam que comemos päo português... näo se vende por cá, os venezuelanos näo gostam!! Contentamo-nos com uma bola de berlim e com o päo adoçicado de todos os dias!
Foi aqui que Bolivar veio em 1817 para criar a sua base para as operaçöes militares contra os espanhois, foi aqui que se concentraram os 5000 veteranos britânicos, antes da conquista da Colômbia, e foi aqui que o Congresso de Angostura decretou em 1819 o nascimento da Gran Colômbia. Em honra de "o libertador", a cidade foi renomeada Ciudad Bolivar em 1846. Aqui fica um desafio: tentem encontrar uma qualquer cidade ou vila venezuelana, que näo tenha uma "Plaza Bolivar"!!!

11-09

Deixamos Ciudad Bolivar e rumamos à costa do mar das Caraíbas. Trocamos de autocarro em Puerto la Cruz e seguimos para Santa Fé. Neste trajecto de 45 min já sentimos o "cheiro" das Caraíbas, emanado pelas colunas radiofónicas que se estendem por todo o autocarro!
Santa Fé é uma pequena, simpática e pacata vila piscatória, com praias agradáveis de água quente, coqueiros e um sem número de pelicanos! Desengonçados, com bico grande, pacatos, lá andam à espera que lhes caia um peixe na goela! Cada um deles parece um personagem de desenhos animados!
Em Santa Fá entramos de férias. À noite compramos uma grade de cervejas, carväo, e fazemos uma bela sardinhada, com batata cozida e pimento assado! Sentimo-nos em casa. Belo repasto!! No dia seguinte damos um passeio de barco pelas praias desertas e ilhas que fazem parte do Parque Nacional Mochima, acompanhados durante parte da viagem por um simpático grupo de golfinhos. À noite comemos mais um belo peixe assado, um dourado.

13-09

Afastamo-nos da costa e vamos para Caripe, conhecer a maior gruta da Venezuela, a cueva del guacharo, e um bicho único que só vive por estas bandas, e na completa escuridäo, o guacharo. É um pássaro que se orienta de forma semelhante a um morcego, por radar, mas que näo é nem sequer primo deste! Entramos 1200 m pela terra dentro, numa visita de cerca de 1h30. saímos, relaxamos com uma garrafa de vinho de morango, conhecemos mais uma bela cascata e voltamos à vila.
Hoje é um dia muito triste...!!! É verdade, o Esteves vai voltar para Portugal, conforme estava previsto, e parte de madrugada para Caracas, de onde vai voar para Lisboa. Vamos jantar a um belo restaurante, digno de uma despedida, e a um bar! Confraternizamos no hotel, e Esteves arruma a mochila, momentos de silêncio seguem instantes de gargalhada e boa disposiçäo, e vice-versa, o momento deveria ser de festa, ou näo, ao nostalgia presente apodera-se de nós! Às 05:00h o Esteves entra no taxi. Leva 1 mês e meio de belas recordaçöes na mochila, e mais um saco cheio de coisas supérfluas que nós achávamos que eram importantes quando deixámos Lisboa. Afinal näo säo tanto assim! Chove a cântaros, como se a natureza personificasse o sentimento que todos temos dentro de nós. Já fazes cá falta.
Passamos o dia chuvoso enfiados no hotel a ver os filmes fúteis que passam na TV!

16-09

Voltamos para a costa do mar das Caraíbas, mais concretamente para S. Juan de las Galdonas, demorámos um dia para fazer cerca de 200 km, trocámos de transporte 5 vezes! No dia seguinte conhecemos as praias desertas e paradisíacas locais. Decidimos entrar mais a fundo na Peninsula de Paria, onde os carros näo chegam. Apanhamos um transporte até ao final da estrada de terra batida, em San Juan de Urane. Daí partimos a pé até uma magnífica praia deserta, em cuja extremidade se encontra o aglomerado populacional de Boca de Cumaná. Pernoitamos por lá. Negociamos com um pescador local uma viagem de 10 min até Sta Isabel, uma pequena comunidade. Aí contactamos um local que nos guia ao interior do Parque Nacional Peninsula de Paria, através de um rio e de um canion fantásticos. Voltamos nesse mesmo dia para Boca de Cumaná. Às 02:00h acordamos e saímos para uma caminhada nocturna, sem lua, em direcçäo a San Juan de Urane, onde apanhamos o único transporte do dia, às 05:00h, de volta a San Juan de las Galdonas. Aqui tomamos o pequeno almoço e seguimos para Rio Caribe onde ficamos uma noite.

21-09

Durante o dia fazemos praia, vamos à praia Medina. Uma vez que temos tido problemas com as máquinas fotográficas, já se avariaram três, näo pude fazer qualquer registo fotográfico. Imaginem entäo uma baía, dois cabos verdes que entram pelo mar, afastados entre si 400 m. Entre eles um areal branco e fino repleto de centenas de coqueiros, como se a selva tivesse descido ao mar. A água é azul, cristalina e quente. A temperatura ambiente ronda os 30º Celcius. Uma rede a cerca de 50 m impede a entrada de tubaröes! A verdadeira definiçäo de paraíso!! Podem acordar...näo estamos cá para isso! Sabe bem mas chateia depressa!! Esperam-nos coisas bem mais interessantes, a começar pela Colômbia.
Apanhamos um autocarro nocturno em direcçäo a Caracas. A nossa vinda a Caracas tem um propósito único e concreto, que é o de ir buscar uma nova máquina fotográfica que chega de Lisboa, através da TAP. Apesar de ser considerada a metrópole mais perigosa da América do Sul, tanto devido à elevada delinquência, como à própria corrupçäo policial, tem o seu quê de interessante. O centro histórico está limpo e arranjado, a rede de metro funciona bem. O Parque Nacional El Ávila está à distância de um teleférico, de onde se pode vislumbrar toda a cidade e o bonito vale em que está inserida a partir de uma altitude de 2105m. Vamos ao cinema, e a um shopping!!!?? Assim que nos apoderamos da nova máquina fotográfica, deixamos Caracas e dirigimo-nos a Maracay a 1h30m de caminho.

25-09

De Maracay decidimos ir passar o dia na Colónia Tovar, uma pequena localidade de origem alemä, assente a uma altitude de 1800 m. É o verdadeiro conceito de uma pequena cidade turística, com a típica arquitectura germânica, salchichas, cerveja e morangos com natas, a sobremesa mais famosa da regiäo. Foi fundada em 1843 por um grupo de 376 alemäes oriundos da Floresta Negra, que vieram quando a Venezuela solicitava imigrantes para cultivar as terras devastadas pelas guerras pela independência.

26-09

Entramos no Parque Nacional Henri Pettier, o parque mais antigo da Venezuela, criado em 1937. A estrada que o atravessa é fantástica. Säo 55 km que sobem aos 1830 m de altitude e

terminam na costa das Caraíbas. Do autocarro vimos macacos, abismos, temos frio, temos calor, abunda o bambu, terminamos na praia, mais uma praia paradisíaca, a Playa Grande! Ficamos uma noite e voltamos a Maracay onde apanhamos um autocarro nocturno em direcçäo a Coro.



Encontramo-nos na Colômbia...

11 Setembro 2006

Gran Sabana, Roraima e Salto Angel - Venezuela em grande


ANTES DE MAIS QUERO-VOS INFORMAR QUE O ESTEVES VAI-NOS ABANDONAR!!! É VERDADE, VAI VOLTAR PARA PORTUGAL, CONFORME ESTAVA PREVISTO: SAI DE CARACAS NO SÁBADO ÀS 17H E CHEGA A LISBOA NO DOMINGO ÀS 07:30H! E DIA 18 PEGA AO TRABALHO! FAREMOS UMA FESTA DE DESPEDIDA DIGNA DESSE NOME, PODEM FICAR DESCANSADOS!!!


Resultado de várias conversas com diversos viajantes, decidimos fazer uma alteraçäo ao roteiro da viagem. Após visitar a Gran Sabana e Roraima, na Venezuela, em vez de voltar a Manaus e passar 6 dias no barco até Tabatinga / Leticia e mais 2 dias até Iquitos, no Peru, decidimos continuar a viagem para norte da Venezuela, até à costa do mar das Caraíbas, e depois entrar na Colômbia pela costa norte, conhecer a fantástica zona de trekking da "Ciudad Perdida" e rumar a Cartagena.



Foi a primeira vez que estive num país onde posso falar português e ser compreendido. Deixo o Brasil com vontade de voltar, o que irei fazer ao fechar o círculo da América do Sul, antes de voltar a Portugal. Apesar do crime, insegurança e pobreza sentidos, e näo desfazendo as imensas belezas naturais que abundam no país, posso afirmar e garantir que a frase chaväo é real:"o melhor do Brasil säo os brasileiros"!

26-08

Santa Elena de Uairen é uma cidade fronteiriça, e é o ponto de partida para visitar a Gran Sabana e escalar o monte Roraima. É uma cidade pacata, povoada de venezuelanos e brasileiros e para nós tem a sua piada, pois marca a passagem para outra cultura, outra lingua, diferentes hábitos e estilos.
Várias agências organizam excursöes à Gran Sabana e a Roraima, com preços mais ou menos tabelados. Näo optamos por nenhuma! Conhecemos o Richard, um venezuelano que tem uma pequena empresa, ainda caseira, que nos dá indicaçöes acerca da forma mais económica de ascender ao monte Roraima: ir directamente à comunidade de S. Francisco de Yuriani e Paraitepui e contactar lá o guia e carregador que nos levaräo ao topo. Organizamos ainda um passeio de carro pela Gran Sabana para o dia seguinte.

27-08

Metemo-nos no jeep do Richard e entramos na Gran Sabana, parte do Parque Nacional de Canaima. A Gran Sabana é vasta, abrangendo o país desde a fronteira com a Colômbia, até à fronteira com a Guiana e Brasil. É como que um espectacular e enorme vazio silencioso, povoado de serpentes, aranhas e escorpiöes, e salpicado com dezenas de Tepuis e fantásticas cascatas.
Tepui é uma palavra utilizada pelos indigenas da família linguistica "pemon" e significa "monte" ou "montanha".
O Tepui é um tipo particular de montanha, com forma de mesa, e constituído maioritariamente por rochas sedimentares, com altitudes compreendidas entre os 1000 e os 3000 m. O seu clima húmido, tropical, mas de média / alta montanha, cria ecossistemas únicos e uma enorme variedade de comunidades vegetais e animais endémicas.

No nosso tour visitámos várias cascatas, tais como a quebrada de jaspe, cuja rocha avermelhada lhe dá um toque único, a cascata de yuriani, e vimos ainda a planície "jurassic park", que como se pode facilmente concluir, deve o seu baptismo ao facto do filme de Steven Spielberg ter sido rodado por estas paragens.
Findo o dia e o passeio, eis que nos preparamos para uma expediçäo de 6 dias ao Tepui Roraima. Uma vez que näo comprámos um pacote organizado, temos de tratar de toda a logística, nomeadamente o transporte até Paraitepui, o contrato com o guia e carregador, a comida e todo o equipamento de caminhada e acampamento. Os contratos com o guia e carregador(es) devem-se a dois simples factos: o primeiro é que é obrigatório ter um guia para a ascençäo; o segundo é que também é obrigatório haver um indigena na caldeirada; o terceiro é que já temos muito equipamento para carregar e näo nos apetece levar 30 kg às costas durante uma intensa caminhada; o quarto e mais interessante é que näo podemos deixar nada no topo, para além das pegadas, o que já causa impacto suficiente. Quando digo nada, é mesmo nada, incluindo a matéria orgânica proveniente do intestino grosso!! Deste modo, e como os factos säo só dois, decidimos contratar, para além do guia, um carregador por 3 dias e outro pelos 6 dias...isto só para a comida! No total, incluindo tudo, ficou em cerca de 300.000 bolivares, 111 euros.

28-08 - Dia 0

Para além de hoje ser o dia em que iniciamos a nossa ascençäo, há outra coisa que nos preocupa a todos, e em especial à Tânia. É que a Sónia, sua irmä, está prestes a ter o seu segundo rebento, a Matilde. Depois de várias horas de inquietude e vários telefonemas infrurtíferos, eis que cerca das 14h chega a esperada notícia: A Matilde nasceu óptima e a Sónia está bem. Ficamos todos felizes e descansados e aguardamos uma fotografia. Muitos parabéns a toda a família, em especial à Sónia e ao Francisco.

Mais aliviados e após a titia ter recebido todas as felicitaçöes, e deitado todas as lágrimas a que tem direito, rumamos a Paraitepui onde pernoitamos.

29-08 - Dia 1

Partimos cedo de Paraitepui e caminhamos num ambiente de Savana, com ligeiros desníveis, numa distância de cerca de 13,5 km, até chegar ao primeiro local de acampamento, o kukenan, a uma altitude de 1050 m.

Dia 2

O dia seguinte leva-nos atá ao acampamento base da ascençäo a Roraima, uma distância de 9 km e um desnível de 820 m. Aqui preparamos um bom jantar, com muitos hidratos de carbono, na companhia de outros grupos, que como nós, reúnem forças para o duro dia que se avizinha.

Dia 3

A subida é feita em cerca de 3h1/2 a 4 horas, um desnivel de 900m em 2km de distância. É preciso ter perna e pulmäo. Lá em cima a paisagem é lunar, um planalto imenso completamente erodido, molhado e labiríntico, com uma área de cerca de 35 km2.

O maciço em que o Roraima está inserido, o Guayanés, é constituido maioritariamente por granitos e gneises com até 3600 milhöes de anos (fazendo destas as rochas mais antigas de que há conhecimento na terra). Este maciço formou parte da secçäo ocidental da "Gondwana", o supercontinente formado pela uniäo das agora América do Sul e África, muito antes do surgimento da fractura que deu origem ao oceano Atlântico, há cerca de 150 milhöes de anos (jurassico tardio). A maior parte deste embasamento rochoso foi coberto por camadas de areias siliciosas, provavelmente provenientes das terras altas de Gondwana, camadas estas que sendo agregadas e compactadas durante diferentes periodos termais, alcançam espessuras de milhares de metros, constituindo o que hoje se chamam os Tepuis. Por isso os Tepuis säo património da humanidade, atribuido pela UNESCO, e näo podem ser visitados a näo ser para fins científicos. A excepçäo, claro está, é o monte Roraima, provavelmente por ser o motor económico de Santa Elena de Uairen e de centenas de indigenas das comunidades circundantes. Outro factor que também ajudou a massificar o turismo no Roraima, foi o facto do famoso escritor inglês Arthur Conan Doyle ter baseado o seu livro e posterior pelicula "Lost World" neste fantástico Tepui, dando-lhe assim um clima de aventura e mistério!

Dia 4

Agora compreendo e dou valor ao guia que contratámos. No topo tudo está encharcado e cheio de fendas. Sozinhos näo iriamos a lado nenhum. Visitamos o vale dos cristais e o ponto triplo. Abundam os cristais de quartzo por todo o topo, practicamente caminhamos sobre espectaculares formaçöes hexaédricas. O ponto triplo define a fronteira entre a Venezuela, Brasil e Guiana. Oficialmente, a Venezuela näo reconhece este ponto fronteiriço com a Guiana, reclamando uma área de cerca de 2/3 do territória da antiga colónia inglesa. Qualquer que seja o mapa oficial da Venezuela que compremos, estäo devidamente assinaladas as fronterias reconhecidas pela Venezuela e a zona da Guiana em reclamaçäo.

O topo do Roraima é um ambiente hostil e bastante inóspito para qualquer organismo vivo, devido à falta de nutrientes, especialmente fósforo e cálcio. Deste modo algumas plantas desenvolveram mecanismos especiais de subsistência, tais como alimentando-se de pequenos insectos ou evitando a perda de água por evaporaçäo (devido à alta radiaçäo).

Após 8 horas de caminhada voltamos ao nosso "hotel", uma cavidade coberta da chuva onde montamos o nosso acampamento.

Dia 5

Descemos atá ao acampamento Tok, um pouco à frente do Kukenan, onde dormimos na primeira noite. Os músculos estäo doridos, os pés uma lástima, e as picadas dos puri-puri däo uma comichäo tremenda. Estas pequenas moscas picam que se fartam, e alimentam-se do nosso sangue sem pedir permissäo...malditas!!

03-09 - Dia 6

Chegamos a Paraitepui perto da hora de almoço e vamos para Santa Elena onde ficamos no Hotel Michelle, Bs10000/pax dia (duplo). Encontramo-nos novamente com o Richard e organizamos uma visita ao Salto Angel, a maior cascata do mundo!

04-09

Passamos o dia e apanhamos o frigorífico, ou melhor, o autocarro para Ciudad Bolivar às 19:30h com chegada às 06:30h. Conselho: duas coisas essenciais a levar connosco num autocarro venezuelano de longo curso: polar e saco cama e documentos! Os dois primeiros säo obvios, o terceiro porque os controles militares säo constantes, neste nosso trajecto fomos interpolados quatro vezes!

05-09

À nossa espera em Ciudad Bolivar estava o Guillermo, ofereceu-nos o desayuno e encaminhou-nos para o carro que nos leva até Paragua, um trajecto de 2 horas. Lá apanhamos um pequeno aviäo até Canaima, onde almoçamos. Aí, vestimos o fato de banho e o impermeável, metemos as mochilas dentro de sacos plásticos e entramos numa lancha rápida até ao acampamento, a cerca de 1h30 de distância. Choveu o caminho todo, aliás, tem chovido a cântaros desde que entrei neste país. Tanta água, e no entanto 1l de gasolina é 15x mais barato que 1l de água. E a água é bem mais barata que em Portugal!! Um litro de gasolina custa a módica quantia de ... 0,025 euros...pois é...quem tem oil, tem oil!!!

Dormimos em redes e no dia seguinte entramos novamente na lancha para mais um trajecto de 2 horas, até chegar ao Salto Angel.

Ao contrário do que se possa pensar, o nome desta cascata näo tem qualquer tipo de influência divina! Em 1937, enquanto procurava ouro, o piloto norte-americano Jimmie Angel aterrou no topo do Auyantepui, o Tepui onde se origina o hoje denominado Salto Angel. Sem conseguir descolar novamente, foi obrigado a descer uma parede quase vertical com 1 km e entrar no meio da selva virgem, uma odisseia de 11 dias até à civilizaçäo. Entretanto o aviäo foi desmontado, transportado e remontado em frente ao aeroorto em Ciudad Bolivar.

Salto Angel é, de facto, a maior queda de água do mundo com os seus 979m de altura, mas näo é mais que isso. A Gran Sabana está releta de grandes e impressionantes cascatas acessiveis facilmente a partir da estrada. Talvez seja pelo elevado valor dispendido (220 euros), o que é certo é que se soubesse o que sei hoje, certamente utilizaria o meu dinheiro em algo que me enchesse mais a alma, enfim, uma extravagância que espero seja única ao longo desta viagem!

Dormimos novamente em redes com o Salto Angel como pano de fundo, e no dia seguinte rumamos de volta a Canaima, onde pernoitamos. Pelo caminho tivemos alguma emoçäo, uma vez que a lancha encalhou numas rochas, uma mochila saltou à água, o guia foi buscá-la, o barco rompeu-se, entrou água, tirámos água, desencalhámos o barco, voltámos a terra, ninguém caiu ao rio!!

08-09

Fazemos o caminho inverso e voltamos a Ciudad Bolivar, onde ficamos na Pousada Dom Carlos, uma antiga escola, com um óptimo ambiente e um espaço comum fantástico!

Seguem-se as praias do mar das Caraíbas...

27 Agosto 2006

Amazonia descoberta, entrada na Venezuela

SEI QUE FALTAM FOTOS, MAS A NET AQUI É UMA LÁSTIMA, NA PROXIMA EDICAO SERAO RECOMPENSADOS!!

19-08

Alguns minutos antes de atracar somos contemplados com o famoso “Encontro das Águas”, a união entre os rios Negro e Solimões. A água escura do rio Negro encontra-se com a água “café com leite” do rio Solimões, fluindo lado a lado, perfeitamente separadas, durante algum tempo, proporcionando um efeito interessante. A união destes dois rios forma o famoso rio Amazonas.

À nossa espera no hotel Ideal já estava o Nuno. O Nuno está há cerca de 5 meses a trabalhar em S. Paulo, e aproveitou o fim-de-semana para se juntar a nós em Manaus. Foram 4h e meia de voo entre S. Paulo e Manaus, mas a ocasião é especial, é o seu aniversário, e ele escolheu partilhá-lo entre nós. Continua assim o clima de festa!! Durante o dia damos umas voltas na proximidade do hotel, visitamos o comércio, almocamos, descansamos, e vamos comemorar o aniversário do Nuno, um belo repasto finalizado com o tipico "parabéns a voce" e apagar de velas, acompanhado com palmas por todos os comensais presentes no restaurante. Depois bebemos um copo num bar para terminar a noite em beleza!

20-08

Domingo não é um bom dia para saborear uma cidade brasileira. As ruas estão desertas, o comércio fechado, não há mercado, os museus só reabrem na 3a feira, sobressai o que de pior existe numa metrópole: o crime, a pobreza, a inseguranca, a podridão. Quando se passeia pelas ruas da cidade a um Domingo, a sensacão experimentada estará algures entre a inseguranca, curiosidade, fascinio, indiferenca.
Manaus, nos seus tempos áureos, foi considerada a Paris dos trópicos. No inicio do sec. XX, com o declinio da industria da borracha no Brasil, comecou a perder todo o seu charme e extravagância. Hoje em dia, salvo a praça onde se insere o teatro Amazonas, o desastre arquitectónico é imenso, com outrora bonitos e imponentes edifícios "ensanduichados" entre torres dos anos 60 e 70 em elevado estado de degradacão.
À noite assistimos no teatro Amazonas à orquestra filarmónica de Munique. O bilhete de entrada foi 1 kg!! de arroz, feijão, farinha, o que for, qualquer que fosse o kg de um bem alimentar, a entrada estava garantida, desde que a indumentaria se adaptasse aos varios banners expostos nas proximidades do teatro.

21-08

A maior parte das pessoas que visitam Manaus tem um objectivo muito concreto: fazer um tour pela selva Amazonica. Nós também, influenciados pelas ambundantes agencias que organizam este tipo de actividades, boas e más, ponderámos visitar a selva. Após ter contactado várias agências e exprimido os preços a cada uma delas, apercebemo-nos que tudo o que nos ofereciam nós já tinhamos feito em Maguari e Jamaraquá, numa área amazonica muito mais virgem e longe do turismo de massas. Guardamos os 150 euros e decidimos rumar a Presidente Figueiredo, uma cidade a cerca de 100 km a norte de Manaus, ainda em plena Amazónia.


22-08

Chegamos a Presidente Figueiredo perto da hora de almoco, procuramos alojamento e instalamo-nos na Pousada das Pedras, gerida pelo Pimenta. É o melhor sitio onde já nos instalámos, exceptuando claro a semana de luxo em S. Luis, mas essa não conta para a estatística! Tem uma decoracão fenomenal com motivos da selva, quartos limpos, um óptimo ambiente, um pequeno almoco fantástico, que alimenta qualquer leão faminto, e para além disso tudo é baratissimo, R$12 /pax dia em quarto quintuplo.
Passeamos pela cidade, cujo nome foi criado em honra do antigo presidente de finais da década de 70, Oliveira Figueiredo. Jantamos pela Pousada e conhecemos a Margaret. A Margaret está na casa dos 50, tem um restaurante em Manaus e está a construir outro em Presidente Figueiredo! Fala que nao se cala, mas sempre com histórias mirambolantes que envolvem litros de cerveja, cachaça, licor, enfim, rimos a noite inteira!

Iniciamos o dia seguinte a trabalhar!! É verdade, a trabalhar! A Margaret fez questao que a aconselhassemos nalgumas questoes técnicas relativas à construçao do seu restaurante. E lá fomos. Ao inicio da tarde fizemos uma caminhada até uma das muitas cachoeiras à volta de Presidente Figueiredo, andámos cerca de 2 km pelo meio da selva e deparámo-nos com quatro macacos que saltavam efusivamente de ramo em ramo, como se nao houvesse amanhã!! A cachoeira nao era nada de especial, mas tinha uma bacia onde demos uns belos mergulhos.

24-08

Uma das histórias mais engraçadas da Margaret, reza mais ou menos assim: " Uma vez zanguei-me com o meu namorado e ele foi embora (...) fui atrás dele num barco, mas apanhámos uma tempestade e eu fiquei num tal estado de nervos, que tive de ir para o bar! Bebi até nao poder mais! Conheci 30 garimpeiros e divertimo-nos até altas horas, embora eu não me lembre de nada. Quando encontrei o meu namorado fizémos as pazes e ficou tudo tudo às mil maravilhas. No dia seguinte estávamos num bar e eis que aparecem os meus 30 amigos garimpeiros!! Claro que voltei para casa solteira outra vez!!"
Apanhamos o autocarro à 01:00h para Boa Vista.

25-08

Chegamos a Boa Vista às 11:50h. Apanhamos um autocarro que nos leva até à fronteira com a Venezuela e chegamos lá cerca das 15:30h. Carimbamos o passaporte com a saída do Brasil, faz hoje exactamente 1 mês que iniciámos a viagem, se fosse de propósito não conseguiamos! Andamos cerca de 1 km em terra de ninguém e chegamos à fronteira coma Venezuela. Mostramos o certificado internacional de vacinação da febre amarela e o passaporte. Carimbam-nos uma permissão de 60 dias de permanência no país, serve perfeitamente os nossos interesses! Chegámos à Venezuela!
A cidade mais próxima, Santa Elena de Uairén, fica a 15 km de distância, os taxis não abundam, e somos 5 pessoas, o que significa que temos de apanhar dois. Vimos uma carrinha de caixa aberta, pedimos boleia e aí vamos nós!! Quem nos deu boleia foi um brasileiro descendente de portugueses, o sr. João Figueiredo, que negoceia tratores agricolas na Venezuela. Bebemos uma cerveja com ele e acabamos por descobrir que o seu pai era primo do famoso presidente Figueiredo que deu nome à cidade onde estávamos!

O mundo é uma ervilhinha!!

19 Agosto 2006

À descoberta da Amazónia

ANTES DE MAIS, OBRIGADO POR TODOS OS COMENTÁRIOS. É OPTIMO LÊ-LOS E SENTIR QUE VOCÊS ESTÃO CONNOSCO.

10-08

Chegamos a Santarém perto das 12h e dirigimo-nos ao IBAMA, instituição que controla a FLONA (Floresta Nacional do Tapajós), para solicitar autorização para entrar no parque.
Instalamo-nos no hotel Alvorada R$10/pax dia em quarto para 4 pessoas, e vamos passear pela cidade.
Santarém, com uma população de cerca de 180.000 habitantes, fica no rio Amazonas, sensivelmente a meio caminho entre Belém e Manaus.
Ao visitar o mercado local descobrimos um novo repelente de mosquitos: óleo de andiroba. Talvez o seja pelo mau cheiro que tem ou pela gordura que deixa no corpo, que afasta todo o ser vivo.

11-08

Pegamos o ônibus para a povoação de Maguari, a uma distância de cerca de 60 km de Santarém, mas que se percorre em cerca de 4 horas em condições normais! Mas como as condições nunca são normais, a nossa viagem demorou 5 horas e meia. Para além de fazer inúmeras paragens, a estrada de terra batida e enlameada não ajuda. Além disso, o autocarro avariou duas vezes, partiu-se a correia de distribuição.
Acabamos por conhecer o sr. Abilio, um guia local que tem todo o prazer em receber visitantes em sua casa.
Chegamos a Maguari debaixo de uma tempestade tropical. Encharcados, sabe bem ter um tecto onde pousar as mochilas e secar um pouco, apesar de ser uma tarefa deveras dificil, tal é a humidade relativa que reina por aqui, na ordem dos 80 a 90%.

Maguari, juntamente com Jamaraquá, são comunidades localizadas junto à FLONA, cujos habitantes são incentivados no sentido de proporcionar un turismo sustentado e controlado, que reverte a favor da comunidade.
Não há energia eléctrica, mas também não é preciso. A proximidade da linha do equador define dias com a mesma duração durante todo o ano e hábitos diários que se mantém: o dia começa cerca das 05:30h, o jantar pelas 18:30h e a hora de dormir às 19:30h.
Chegámos num fim-de-semana bom, uma altura das festas anuais da comunidade. Durante esta semana há energia eléctrica na praça central da aldeia, obtida através de um gerador, com música ao vivo e bingo. Ainda jogámos um cartão, mas não ganhámos nada. Foi uma professora local quem levou a galinha para casa!!

12-08

Fazemos uma caminhada de cerca de 7 horas pela FLONA. É impressionante a biodiversidade desta região, e completamente diferente da nossa.
Aqui encontra-se todo o tipo de produtos naturais para curar qualquer doença. O nosso guia podia perfeitamente sobreviver nesta floresta, tal a facilidade com que encontra alimento e água. Encontramos uma cobra que se confunde de forma perfeita com os ramos de uma árvore. Só o olho apurado do guia conseguiu encontra-la. Existem inúmeros animais venenosos aqui, como cobras, aranhas ou escorpiões.
Já de volta a casa do Sr. Abilio e D. Darleide, sua esposa, ouvimos histórias de picadas de animais venenosos durante o jantar e ficamos todos com ligeiras comichões pelo corpo!
Os banhos são tomados nas bonitas e limpas praias fluviais sobre o rio Tapajós, que nesta altura do ano e até Novembro aumentam de tamanho o seu areal, à medida que o nível das águas desce. Em Dezembro volta a época das chuvas e as praias desaparecem. Este ciclo repete-se ano após ano, com a precisão de um relógio suiço, dizem os caboclos, os nativos desta região.

13-08

Hoje é dia dos pais no Brasil. Não é nem dia da mãe, nem dia do pai, é de ambos!! Não temos esta comemoração em Portugal, mas qualquer dia, quem sabe?
Durante a manhã vamos andar de canoa pelos "igapós". Os "igapós" são afluentes dos rios, que nos meses de chuva e cheias, formam grandes bacias, deixando árvores submersas a profundidades que podem rondar os 10 m ou mais! Literalmente nadámos junto à copa das árvores!! Quando o nível das águas desce, o afluente volta à forma como o conhecemos, denominando-se "igarapés".
Passamos parte da tarde em Jamaraquá, até que uma chuva tropical nos obriga a recolher até casa do Sr. Abilio, onde ficamos até às 03:00h, hora em que apanhamos o autocarro de volta a Santarém, o mesmo autocarro em que viemos para Maguari!!

14-08

Chegamos a Santarém cerca das 06:30h, desta vez a viagem correu bem! Pegamos um ônibus que nos leva até Alter-do-Chão. Chegamos às 08:30h, hora para um belo repasto, estavamos famintos.
Alter-do-Chão consiste basicamente numa praia fluvial, bem bonita, um paraíso na Amazónia, frequentado principalmente pelos habitantes de Santarém aos fins-de-semana e férias. Um pouco como o nosso Algarve, ou o Porto Santo para os madeirenses. Nesta altura do ano a vila ainda está separada da lingua de areia que forma a praia. Entramos numa canoa e passamos para o lado de lá. Encontramos uma cabana, ideal para estender as redes. Instalamo-nos. Parece um paraíso perdido. Decidimos ficar dois dias! Aproveitamos a tarde para descansar, lavar alguma roupa, comemos peixe assado e ficamos...

15-08

Acordamos cedo e fazemos uma pequena caminhada até ao pico próximo da praia, são cerca de 45 min a andar, a vista é fenomenal, 360º sobre o rio Tapajós e o lago verde. Vamos almoçar à vila e aproveitamos para comprar carne para fazer um churrasco ao jantar. Entretanto alugamos uma canoa por nossa conta para dar umas voltas pela lagoa. Ao inicio estava dificil, mas depois lá atinámos com os remos e deixámos de andar em círculos! Ao anoitecer preparámos o lume e fizémos umas belas espetadas de carne de vaca!

16-08

Apanhamos o autocarro de volta a Santarém, passamos pelo hotel para reunir as coisas que deixámos para trás, refazemos a mochila e dividimo-nos. Eu e o Esteves vamos comprar água e os bilhetes para o barco que nos leva a Manaus, elas vão comprar fruta e legumes e preparar uma surpresa ao Esteves! É que ele faz anos amanhã; e ao contrário do que aconteceu o ano passado na Turquia, desta vez a data não vai passar sem comemoração!!
O barco parte às 15:00h, pedem-nos R$70, oferecemos R$40, fica pelos R$52,50, cerca de 20 euros. Montamos as redes e preparamo-nos para cerca de 2 dias e meio de viagem.
Às 19h locais, 00:00h de dia 17 em Portugal, acendemos as velas e comemoramos o 29º aniversário do Esteves, na companhia de viajantes espanhois, mexicanos, australianos, israelitas e obviamente brasileiros. A cachaça fica guardada para amanhã, porque hoje é 4ª feira, dia de mephacin, o comprimido da profilaxia da malária que nos faz dormir bem!! Soubemos que durante a noite a bomba de água do barco avariou, estivemos parados entre as 03:00h e as 06:00h.

17-08

O David é mexicano, músico, iniciou a sua viagem há cerca de 1 ano, na companhia da mulher, da guitarra e kg de bagagem. Hoje viaja sozinho, roubaram-lhe a guitarra e a mala. Tem pouco mais de meia dúzia de peças de roupa e alguns 20 kg de livros, que de certa forma compensam os mesmos que perdeu no corpo. Aprendeu a arte do artesanato e vai viajando à medida que vai vendendo. Mas desta vez viaja com o objectivo de voltar a casa, à familia, ao seu México.
Ensinou-nos alguns pontos de macramé, que permitem fazer colares, pulseiras, etc, até onde for a imaginação. O Esteves é quem te mais jeito e o ponto mais perfeito, o Hugo quem tem menos jeito e o ponto mais imperfeito!!
À noite abrimos a cachaça, misturamos suco de manga e goiaba, ligamos as colunas do mp3 e comemorámos até altas horas, até à 01:00h!!!

18-08

Acordamos um pouco mais tarde hoje, 08:00h, falhamos o café da manhã. Lê-se um pouco, conversa-se, ouve-se música. A meio da tarde uma brisa invade o barco, 30 segundos depois uma ventania descomunal varre toda a zona das redes, toda a roupa que estava pendurada no guarda-corpos vai parar ao rio, o que encontrava em cima das redes sai disparado em todas as direcções, chove copiosamente, relampeja, o barco abana, o rio parece mar alto, velhotas rezam, ondas enormes, crianças choram, depois acalma, volta tudo ao mesmo, como se nada tivesse acontecido, apenas um grande susto.

19-08

A previsão inicial era de chegar a Manaus às 23:00h do dia 18, depois o barco avariou, a previsão passou para as 03:00h, depois para as 06:00h e por fim chegámos a Manaus às 09:30h de dia 19!! Se tivessemos saído de Santarém na 5ª feira, tinhamos chegado 6 horas mais tarde no mesmo dia!! Enfim, mais uma grande aventura nos barcos do Amazonas. Para compensar vamos fazer um grande jantar!

11 Agosto 2006

2 dias e 3 noites em direcção a Santarém!!






04-08

Saímos de Barreirinhas pelas 06:00h em direcção a S. Luis, onde vamos pernoitar no Solar das Pedras, um albergue pertencente à hosteling international, com boas condições e a preços baixos, R$18/pax dia em dormitório. Passámos o dia a fazer pequenas compras, internet e a passear.
O Esteves foi buscar o passaporte provisório, que esperemos servirá para o resto da viagem. À noite fomos até uns bares pelo centro, ouvir música ao vivo e beber uma cachaça com canela para aclarar a voz, na companhia do nosso guia da "Mundo Vip", o Bruno, que apesar de já não estar na qualidade de guia, nos acompanhou por várias horas.

05-08

Continuamos em S. Luis a fazer coisas banais e a preparar para a longa viagem de autocarro até Belém. Apanhámos o ônibus até à rodoviária, jantámos por lá, e partimos às 20:00h. Sorte nossa, o autocarro leva pouca gente, podemos ficar com dois lugares para cada um e dormir mais confortáveis, só assim chegamos menos amassados a Belém, após uma viagem de 15 horas por trolos de estrada de terra batida, a velocidades não superiores a 20 km/h. Houve pessoas que nos desaconselharam a fazer este trajecto todo de autocarro, agora entendo porquê, somos alvos fáceis para assaltantes quando andamos a 20 km/h. Mas correu tudo bem.



06-08

Chegamos a Belém pelas 11:00h desta manhã de Domingo, e vamos directos para o hotel Fortaleza, um clássico de backpackers gerido pela Gilda, muito castiça. Hoje é um dia pouco seguro para andar pelas ruas, uma vez que estão muito vazias. Damos uma volta pelas ruas na próximidade do hotel. Compramos bilhetes para o barco que nos levará até Santarém, custou R$90. À noite fomos até um barzinho e voltamos cedo para o hotel.




Acordamos cedo, pelas 06:30h, e comprámos umas redes que serão a nossa tarimba durante 3 dias até Santarém, e enquanto viajarmos de barco pelo Amazonas até ao Peru. Apanhámos o ônibus até ao porto para colocar as redes e voltámos para o centro, ao mercado local, o"ver-o-peso", com cerca de 1000 barracas de frutos, especiarias, carne, peixe, animais vivos, artesanato, enfim, tudo o que é necessário para sobreviver.

Belém é o motor económico do norte do Brasil, e da Amazónia Legal. Faz a ligação entre o oceano Atlântico e o Amazonas e é a principal porta de entrada da Amazónia, utilizada desde 1616 pelos portugueses para conquista de toda a zona norte.


Entramos no que será o nosso hotel durante as próximas 3 noites, o barco "Coronel José Julio", com capacidade para cerca de 220 pessoas e carga ilimitada. Pelo menos a mercadoria não pára de entrar, caixotes a perder de vista que abastecem as povoações ao longo do rio, com tudo o que se possa imaginar, desde milho a galinhas, tapioca a vaca, vegetais e fruta frescos, etc!!!

Dormir num convés povoado de gente deitada em redes não é fácil nem confortável. Acho que já dormi em sitios piores, mas não me lembro de ter acordado tantas vezes na mesma noite!!
O dia começa com o nascer do Sol e somos brindados com um belo "café da manhã", que consiste em...café...e uma vez que é de manhã... os tripulantes deste barco seguem à risca a denominação brasileira do nosso "pequeno almoço"!
O almoço é carne com arroz, feijão e farinha de tapioca, e o jantar é farinha de tapioca, feijão, arroz com carne. Pelo menos varia a carne, ao almoço foi galinha e ao jantar vaca.

Quando atracamos num qualquer porto de passagem dá-se uma"revolução", com passageiros a sair, novos passageiros a entrar e a procurar o melhor local para colocar a rede, vendedores de gelados, fruta, açai, e crianças a estender a mão, à espera que lá caia qualquer coisa, de preferência uma moeda.

Entrámos na zona da malária, redobram-se os cuidados,especialmente a partir do lusco-fusco e até ao amanhecer. Comprimidos de alho, profilaxia com mephacin, rede mosquiteira, repelente com 35% de DEET, biokill na roupa e a maior quantidade de pele coberta, são os cuidados de prevenção que teremos de cumprir.

Da mesma maneira que começa, o dia também acaba cedo. Após o jantar o silêncio começa a reinar e as redes acomodam os corpos cansados de não fazer nada!

Não é difícil travar conhecimento com os companheiros de viage, sejam eles viajantes à procura do desconhecido, como nós, ou locais que viajam em trabalho ou de regresso ao encontro das familias e amigos.
Entretém-se a jogar cartas, dominó, dançar, ouvir música, conversar, ou simplesmente olhar o rio Amazonas, um rio que está a uma escala muito diferente da que estamos habituados: é tão largo que, estando numa margem e olhando para a outra só se vê uma pequena faixa verde no horizonte, e é tão sujo que não se vê um cm que seja para o seu interior.

Sinceramente não o imaginava assim!!!!!!

04 Agosto 2006

Lençois Maranhenses

28-07

Começámos o dia bem cedo, acordar às 05:30h, pequeno almoço às 06:00h e barco para Alcântara às 07:00h, o Diamantina, através da Baía de S. Marcos, que faz a separação entre S. Luis e Alcântara.
Alcântara é um tesouro de arquitectura colonial, mas a cair em ruínas, outrora o principal produtor e exportador de açucar e algodão do estado do Maranhão. Descobrimos ainda que a 15 minutos dali se encontrava o centro aeroespacial do Brasil, que conta com uma localização priveligiada para o lançamento de satelites, devido à proximidade da linha do equador.
Corremos a vila toda a pé e ainda houve tempo para ir até a praia, na companhia da Alicia, uma espanhola de Barcelona que se encontra a viajar sozinha! Almoçamos juntos e voltamos para S. Luis às 16:00h, uma viagem muito abanada!!!

Passámos a manhã seguinte e parte da tarde à procura da botija "camping gás", e não conseguimos encontrá-la. Encontrámos botijas da "coleman", mas quem vende as botijas não vende os bicos, parece que a fábrica encerrou!!! Resultado: temos botijas "coleman", bicos "camping gás" que trouxemos de Portugal, e um pequeno fogão eléctrico, que acabámos por comprar já em desespero de causa!! Pelo menos já podemos cozinhar onde houver energia eléctrica!! Melhor que nada, já poupamos uns tostões!
Ainda passámos pela praia, mas desistimos, o cheiro a esgoto era demais! Acabámos na piscina do hotel.


Continua a saga das botijas...idem idem aspas aspas!!
A Silvia foi à cabeleireira!!!!?? Fez 74 tranças...ficou diferente!!!... mas fica-lhe bem! E além disso já sabemos todas as noticias fresquinhas da society de S. Luis!

01-08

Alvorada às 03:00h, check out do hotel. Chegamos ao aeroporto de S. Luis para apanhar a Ana, que se junta a nós. Apanhámos uma fourgoneta que nos leva do aeroporto até à rodoviária para apanhar o autocarro das 06:00h para Barreirinhas, porta de entrada para o Parque Nacional dos Lençois Maranhenses. Os Lençois são piscinas naturais de água cristalina formadas pelo elevado nível freático e pela água da chuva no meio de imensas dunas de areia branca que dominam uma paisagem de 155 km2.
Instalamo-nos na Pousada do porto e percorremos as várias agências de turismo e aventura à procura dos melhores preços e roteiros, uma vez que é obrigatório levar um guia nativo para percorrer os lençois. Negociámos uma caminhada de 5 horas pelo Parque incluindo transportes em jardineira 4x4 até al local do inicio e transporte de volta para Barreirinhas, R$55 por pessoa mais R$50 pelo guia, a dividir por todos, 25 euros por pessoa.

Iniciámos a caminhada às 07:00h, após cerca de 1 hora de viagem todo-o-terreno. Os lençois são formações únicas, paisagens a perder de vista com dunas e lagos de água limpída e cristalina, óptimos para mergulhar e nadar, mesmo que esteja a passar uma tempestade tropical daquelas que fazer calar toda a bicharada das redondezas. Aliás, está-se bem melhor dentro da água do que cá fora.


No dia seguinte fomos até Caburé, pequena aldeia na foz do rio Preguiça; a cerca de 4 horas de barco pelo rio. Entrámos no barco "Simone", tinha bom aspecto. Após 15 minutos de viagem, começou a deitar fumo preto por todo o lado e parou, ficámos à deriva!! O que vale é que poucos minutos depois passou outro barco que abordámos. Desta vez sei que não vamos ter problemas, o barco chama-se "Confio em Deus" e afinal de contas "DEUS É BRASILEIRO"!!!

27 Julho 2006

Chegámos!! Semana de Luxo...

Eis que chegou o grande dia!!!

Encontro às 15h no aeroporto da Portela, nós os 4, familia, amigos e um charter cheio de turistas prontos a passar uma bela semana em S. Luis do Maranhão.

-"Tanto choro por uma semana!!! Que exagero!"
Ouvi esta frase pelo menos duas vezes. E ainda:
-" Podiam ter trazido umas malitas mais jeitosas".

Nenhum deles imaginava a viagem que iamos iniciar!!!!

Ainda no aeroporto, prestes a embarcar, eis que nos deparamos com um problema que se pode tornar muito grave: o passaporte do Esteves caducou em Março de 2006. Ainda assim conseguimos embarcar. Só nos resta a sorte de passar o controle à chegada ao Brasil, e ir directo ao consulado português em S. Luis. Até lá são 8 longas horas de voo!! Voo inaugural, diga-se de passagem, uma vez que este é o primeiro voo internacional que aterra no aeroporto de S. Luis.

Foi uma sensação de alivio enorme ao ver o Esteves a receber o passaporte carimbado e seguir em direcção à grande festa que nos esperava.
Como bons anfitriões que são, o povo brasileiro recebeu-nos com danças e músicas típicas da região: o "bumba meu boi", uma festa anual que decorre entre Julho e Agosto em pleno centro histórico de S.Luis do Maranhão.

No dia seguinte acordamos com um belo dia de Sol e humidade, ideal para ir conhecer o centro de S. Luis e almoçar uma caranguejada na praia do Calhau, a melhor e mais mediática praia da zona.

Boas noticias para o Esteves: Existe a possibilidade de o Consulado Português em Belém emitir um passaporte provisório, processo este que demorará cerca de uma semana. Ficamos mais descansados!

Voltamos ao centro histórico depois de jantar a sandoca do pequeno almoço e desfrutamos a animação nocturna juntamente com uma caipirinha!! E além da Caipirinha ainda pagámos o couvert artistico, que foi tão caro como a bebida! Pelo menos a galera cantava bem.

e a partida tinha mesmo hora marcada......





...para todos os amigos dos viajantes que não puderam comparacer no aeroporto para a tão esperada partida, aqui fica um relato do que se passou.... para começar os nossos amigos chegaram todos a horas (?!) o que para quem os conhece, já começam a viajem com comportamentos estranhos..... depois foram as emoções a começar.... que choradeira! a partida estava dificil, entre lágrimas, abraços, e telemóveis que não funcionavam, estávamos a ver que eles desisitiam!!! A nossa amiga Tânia, nem parecia a mentora do projecto! parecia que estava a ir obrigada. desculpa amiga, mas tinha de contar este episódio caricato :) também nos custou a todos deixar-vos ir, que o digam as mamãs presentes, mas como sabemos que vão bem e trazer um milhão de experiências para partilharem connosco, cá vos esperamos novamente no aeroporto, com beijos, abraços e muitas lágrimas para vos receber! até já amigos... divirtam-se......

P.S.: Últimas notícias: chegaram bem, às 03hoo já estavam instalados no Brasil.

20 Julho 2006

Preparativos finais

Após meses de preparação eis que se aproxima a data da partida…25 de Julho de 2006 às 17:20h! Uma data que dificilmente será esquecida por nós!

Consultas de medicina do viajante e as inevitáveis vacinas, seguro de viagem, horas em busca do melhor roteiro, equipamento, guias, aconselhamentos, uma infindável lista de material que terá de caber dentro de uma mochila…

Esta página pretende ser um registo das nossas experiências vividas que procuramos actualizar sempre que possível, tanto através de texto, como de imagens, para que todos possam partilhar as nossas vivências em tempo real, sonhar ou até preparar uma aventura semelhante!


Comentários e sugestões serão bem-vindos!


Até breve