Últimos dias
06-06




vamos caminhar quatro dias pela Cordilheira Branca. Connosco vai um casal de holandeses e outro de eslovenos que conhecemos nas dunas de Huacachina, e um casal de franceses que conhecemos na ilha de Amantani, no lago Titicaca.
Neste primeiro dia caminhamos cinco horas por um vale verdejante, passando pequenas casas de pastores, cujos filhos pequenos nos dizem "hola" e nos pedem caramelos! Passamos o final de tarde a jogar às cartas no acampamento, jantamos antes que anoiteça, e recolhemos às tendas assim que o frio aperta. No dia seguinte acordamos bem cedo e tomamos um pequeno-almoço forte: espera-nos um dia duro, com 1000m de desnível de subida. Joep, o holandês, passou a noite mal da barriga e a vomitar, não se sente em condições de continuar e volta de mula até Vaqueria. Vamos então os seis rumo a uma extenuante subida de quatro horas que nos leva até ao passo Punta Union, a 4750m de altitude. Ficamos cerca de uma hora a usufruir de uma paisagem de 360º sobre os picos nevados, glaciares e lagoas desta cordilheira. A Cordilheira
Branca é a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, e a segunda mais alta depois dos Himalaias. Aqui encontra-se a montanha Huascarán, a mais alta do Peru e segunda mais alta do continente americano, com 6768 m.s.n.m., e a que já foi considerada a montanha mais bonita do mundo, o Alpamayo, com 5947 m.s.n.m..
pancadaria entre jovens peruanos, típicas de um normal Sábado à noite. O nosso guia vem ter connosco, ainda bebido, e seguimos para uma viagem de autocarro de sete horas que nos leva até ao início da nossa caminhada pela Cordilheira Huayhuash. Pelo caminho continua-se a beber umas cervejitas! Em Llamac, conhecemos o nosso arrieiro, e seguimos para uma subida de duas horas que nos leva a um passo de 4300m de onde contemplamos vários picos nevados. Foi por isto que viemos cá! Descemos e continuamos três horas por um caminho relativamente plano até um pequeno aglomerado de três casas, onde chegamos debaixo de chuva e frio, já quase de noite. Somos acolhidos pelo calor da chama da lareira em casa de uma simpática senhora, enquanto esperamos que o guia e o arrieiro cheguem. O guia, estava com os copos, comeu uma pêra abacate e uma coca-cola e diz que ficou com diarreia e vómitos por causa disso: foi só o início! O arrieiro, não conseguia controlar os dois burros que tinha e estava continuamente a deixar cair a carga: foi só o início!
No dia seguinte, acordamos com a tenda cheia de gelo por fora. Vestimo-nos encolhidos, tomamos o pequeno-almoço, arrumamos tudo e seguimos para três horas de subida até ao passo Punta Rondoy, a 4750m de altitude. Mais 50 Mb de fotografias, a observar as constantes avalanches e ruídos ensurdecedores do gelo a quebrar, e descemos até Matacancha, onde acampamos. O dia seguinte tem dois passos importantes acima dos 4600m de altitude. São oito horas de dura caminhada que culminamos junto a uma fantástica lagoa guardada por imponentes picos nevados e glaciares. Aqui, o nosso arrieiro, que se chamava Ever, como ele gostava de repetir não fossemos nós esquecer, deixou um dos burros seguir pelo caminho errado e entrar dentro do rio. Ficámos com a tenda e os sacos-cama todos molhados, e tivemos de dormir com as mantas que cobrem os burros nas próximas noites, menos mal! O guia, está cada vez pior de saúde, e não consegue continuar. Vai voltar por um caminho alternativo que o leva até uma aldeia de onde consegue um transporte para voltar a Huaraz. Como alternativa, surgiu um arrieiro experiente, que faz a vez dos dois pategos com quem estivemos estes três dias, o
Rubin. Seguimos com ele por mais três dias duros, mas que valem cada minuto pelas paisagens.
Chegamos a Trujillo, uma cidade costeira bem preservada a nível de arquitectura colonial. Além disso, está rodeada de sítios arqueológicos de enorme valor. Visitamos os templos do Sol e da Lua, da cultura Moche, que dominou a costa Norte do que hoje é Peru entre 200 A.C. e 850 D.C.. À tarde visitamos Chan Chan, a gigantesca cidade de adobe que albergou 35.000 habitantes da cultura Chimu, descendentes dos Moche, que prosperaram entre 850 D.C. e 1470 D.C., ano em que foram conquistados pelos Incas.
Descemos em bicicleta a estrada que liga La Paz a Coroico. Esta é oficialmente a estrada mais perigosa do mundo, e o galardão é bem merecido, dado o número de acidentes mortais que ocorreram aqui. Largura de faixa só suficiente para um veículo, abismos de 1000m, instabilidade de taludes e quedas de água sobre a estrada predominam! São três horas para descer cerca de 60 km de pura adrenalina e belas paisagens, até chegar à tropical Coroico, onde almoçamos e mergulhamos na piscina de um hotel.
aglomerados de populações indígenas, que ainda hoje utilizam este caminho empedrado, antigamente usado pelo império inca para transporte de produtos agrícolas entre os vales tropicais e as terras altas.
29-04
ilhas que flutuam graças a uma grossa camada de raízes e terra, e várias camadas de uma espécie de planta que abunda por aqui, a totora. Estas ilhas são depois ancoradas e são de tal forma robustas e resistentes que nelas são construídas casas, escolas e até pequenos hospitais. Também os pequenos barcos são construídos com esta planta que se pode inclusivamente comer! Visitamos ainda as ilhas de Amantani e Taquile, com culturas autênticas e relativamente preservadas. Pernoitamos na ilha de Amantani, em casa de locais que à noite nos emprestam as suas roupas típicas e nos levam a uma pequena festa onde dançamos até cair! Não é preciso muito para cair, quando se dança a 3800m de altitude...
09-05
exo. Estávamos tão entusiasmados à procura de uma aberta no nevoeiro, que em certo momento não prestámos a devida atenção à guia, que ía fazendo perguntas aos menos atentos, tal e qual como na escola! Quem não soubesse responder tinha de cantar o hino do seu país em voz alta! Todo o grupo ouviu o hino português!
16-05
BUMM! "F*******!!! Já f******** o carro todo!! Apanhámos um buraco na estrada e empenámos a jante, o pneu esvaziou todo! Às 4 da manhã, no meio do nada, rodeados de ruídos de bichos que não conhecemos, lá metemos o sobresselente. Chegamos ao hostal às 6 da manhã, tomamos o pequeno-almoço e arranjamos o pneu. Descansamos um pouco em redes e vamos para as cristalinas águas do rio sucuri. Cerca de uma hora fazendo snorkeling pelo rio mais transparente que já vimos. A natureza calcária de toda a região, torna estas águas impressionantemente limpas, de tal modo que mais parece que estamos a flutuar sobre o ar. Ao jantar comemos carne de jacaré e capivara. O dia seguinte é preenchido entre visitar a gruta da lagoa azul, fazer um rapel de mais de 80m até um lago subterrâneo com várias formações subaquáticas, e conhecer o balneário municipal. À noite voltamos a Campo Grande e despedimo-nos do Nuno, que apanha um voo de volta a S. Paulo.
O facto de a nossa língua mãe ser o português, permite-nos aproximar muito mais da população local, e fruto disto somos convidados para um churrasco num cafezinho local. Bebemos muita caipirinha e comemos porco selvagem acabado de caçar. Na mesma noite, pescamos piranhas, capazes de comer um dedo de um de nós! Quando pegamos nelas, apercebemo-nos bem dos seus dentes afiados!
a registo informático da nossa saída. Cruzamos a fronteira para a Bolívia e aguardamos o comboio, com horário de partida previsto para as 12h. Saímos com seis horas de atraso em direcção a S. José de Chiquitos, onde chegamos às 7 da manhã.
são extraídos como se estivéssemos ainda no séc. XVII. Tudo é feito de forma manual em condições extremamente desumanas. A esperança média de vida destes trabalhadores é de 10 anos, depois disto aparecem as doenças de pulmões. Compramos folhas de coca e oferecemos aos simpáticos mineiros, alguns deles crianças de 15 anos agradadas por dar dois dedos de conversa. Mastigar as folhas é algo que lhes dá alento para suportar um dia inteiro de trabalho duro, e uma tradição por toda a Bolívia.
As chuvas que atingiram a zona recentemente, deixaram uma fina camada de água que funciona como um espelho perfeito. Não dá para ver onde acaba a terra e começa o céu, é impressionante. Almoçamos na ilha dos pescadores, um monte rochoso cheio de cactos, no meio da imensidão branca. Dormimos numa pequena aldeia, e no dia seguinte continuamos o passeio por entre lagoas habitadas por centenas de flamingos, vulcões, formações rochosas curiosas e uma imensidão de nada. Acabamos o dia perto da lagoa colorada, de água vermelha originada pela concentração de algas e plâncton, os mesmos que dão a cor rosada aos flamingos.
15-04
S. Telmo, com o tango de rua e o mercado de antiguidades, a colorida Boca, Palermo velho,o centro, o moderno Puerto Madero. Vamos ainda assistir a um clássico show de tango, no ainda mais clássico Café Tortoni.
O rio Iguaçu forma, talvez as mais belas cataratas do mundo. Visitadas do lado argentino, apercebemo-nos bem da força da água, e sentimo-la bem no corpo. Um pequeno passeio de barco leva-nos até debaixo das mais pequenas. Mas o melhor ainda está para vir! Depois de uma caminhada de 20 minutos estamos sobre a garganta do diabo, a principal e mais impressionante de todo o conjunto das quedas de água . O ruído é ensurdecedor e ficamos encharcados com a quantidade de água que é levantada pelos ventos formados pela própria cascata. Só visto é que nos apercebemos da imponência e do poder da água! É arrepiante!!
Ipanema e Leblon são óptimas, e a cidade vista desde o Pão-de-Açucar ou do Corcovado é algo fenomenal. Agora compreendo porque tantas letras de música foram feitas à volta desta metrópole. Os cariocas têm motivo para ser orgulhosos. O centro também é interessante e algumas zonas fazem lembrar os bairros históricos de Lisboa, nem que seja pela calçada nas ruas e pelo pequeno eléctrico, o "bonde", leia-se "bom-dji-nho"!
Apanhamos um barco em Angra dos Reis, e dirigimo-nos para Vila Abraão, o maior aglomerado urbanizado da ilha, mas ainda assim tão pequeno que os dois únicos carros que circulam pelas ruas de terra batida são os dos bombeiros e policia.
"Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher perfeita. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein." Oscar Niemeyer
acordámos eleger, por unanimidade, a Ana Tem Tem ("pudu pudu") como membro honorário da expedição! Esta nomeação é mais que merecida, no entanto é condicional... fica sujeita a uma jantarada de celebração a qualquer latitude e em data a estabelecer! Adeus Ana...!!
selvagem. Pinguins de Magalhães, lobos marinhos, elefantes marinhos, baleias, orcas, todos coabitam por aqui! É um deleite para nós, que normalmente só vimos este tipo de animais num zoo. Visitamos ainda Punta Tombo, uma reserva com cerca de 800.000 pinguins. Eles andam por todo o lado, e tão próximos que nos arriscamos a levar uma bicada! Fazemos ainda uma volta de barco para ver toninas, uma espécie de golfinho branco e preto único.
obrigatoriamente de cruzar a fronteira com o Chile, e voltar a entrar na Argentina. Entramos na Terra do Fogo, após passar o canal de Magalhães em Ferry. Ushuaia é, de facto, a cidade mais austral... da Argentina! A verdade é que cerca de 60 km mais a sul, localiza-se Puerto Williams, essa sim, a cidade mais a sul do mundo, no Chile! Apesar disso, Ushuaia ficou com a fama internacional, e é visitada por largos milhares de turistas todos os anos, enquanto Puerto Williams, realmente parece o verdadeiro fim do mundo! No entanto, não vamos lá! A discussão à volta do assunto entre Argentina e Chile, resulta na não existência de um transporte regular entre Ushuaia e Puerto Williams, e a cidade chilena mais próxima também é demasiado longe, o que faz com que o preço do transporte seja exageradamente alto!
inteiramente do turismo. O Parque Nacional Los Glaciares alimenta toda a cidade, e não é para menos, é realmente fantástico! Como o próprio nome indica, o parque tem vários glaciares, e todos impressionantes. Fazemos uma viagem de um dia em barco pelos lagos glaciares e um minitrekking sobre o glaciar mais famoso e visitado do parque: o glaciar Perito Moreno. Terminamos a mini-caminhada de 2 horas pelo fantástico glaciar azul com um whiskey arrefecido com gelos centenários! Assistimos ainda a vários desprendimentos do glaciar (consegui filmar um deles, vejam-no!), e foi nesta altura que escutámos uma curiosa e interessante conversa entre o Zé Bigodes, o Manel da Pinga, e o Dr. Geo. Foi mais ou menos assim:
26-01
ós três e a Anna, uma italiana que nos acompanha na viagem já há duas semanas. Comemos bem, bebemos ainda melhor! A Silvia sopra as velas e abre as prendas. Foram só coisas úteis para a próxima caminhada que vamos fazer, tais como toalhetes, chá, chocolates, etc, e ainda um bico da camping gaz e um recipiente para líquidos! No dia seguinte acordamos tarde e tratamos das compras para os sete dias no Parque Nacional Torres del Paine.
visitado entre os amantes de trekking na América do Sul, o Parque Nacional Torres del Paine deve o seu nome às monstruosas torres de granito que dominam a paisagem. A rodeá-las, está o pico Paine Grande e os cornos de Paine, formações de base granítica e cabeça sedimentar, cuja fotografia é capa de livros por esse mundo fora.
Uma parte do barco é dedicada ao transporte de passageiros, esta sim, bem arranjada, organizada por quartos com beliches de quatro categorias distintas. Apanhamos um péssimo tempo no primeiro dia de viagem, muita chuva e vento, mas os seguintes foram óptimos dias de sol. Durante a viagem, desfrutamos dos glaciares e dos desabitados fjords patagónicos, por vezes tão estreitos, que parece que o barco não passa através deles! Desembarcamos durante uma hora em Puerto Eden, uma pequena aldeia piscatória e casa da quase extinta comunidade indígena Qawashqar.
ESPECIAL EQUADOR
22-11A Colômbia, ou "Locombia", surpreendeu... muito pela positiva! Famosa pelos seus mitos, cocaína, guerrilhas, paramilitares, esmeraldas, e o misterioso El Dorado, a ilusão que moveu os espanhois selva a dentro à procura das inexistentes inimagináveis montanhas de ouro; a Colômbia é ainda a terra de Gabriel Garcia Marquez, Fernando Botero, e de um povo com uma simpatia e hospitabilidade fora do comum, equiparada aos brasileiros!
Mas a turbulenta história deste país, torna-o num dos mais temidos, e consequentemente, menos visitado, tanto pelo turista estrangeiro, como pelo local!
Os conflitos remontam já à época da independência, 1819, opondo centralistas a federalistas. Anos mais tarde, são formalizados dois partidos políticos: conservativos (com tendências centralistas) e liberais (com ligações federalistas). Os conflitos sucedem-se, até culminar na
mais sangrenta guerra civil jamais vivida na Colômbia, a "La Violencia", em 1948, que deixou mais de 300.000 vítimas mortais. Mais tarde são criadas várias forças guerrilheiras, todas com ideais liberalistas que remontam à "La Violencia", sendo as mais significativas as FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) , a ELN (Ejército de Liberación Nacional) e a M-19 (Movimiento 19 de Abril). Neste momento só as FARC e a ELN se encontram ainda no activo, com uma força de 18.000 e 5.000 homens, respectivamente. Tendo perdido o apoio de Moscovo e Havana, estes grupos guerrilheiros baseiam-se agora na extorção e rapto para financiar a sua luta! A cocaína é também um importante meio de financiamento para estes grupos, havendo áreas no país completamente sob seu controle!
Os carteis de droga iniciaram-se na década de 70, sendo os principais, o de Medellin, de Pablo Escobar, e mais recentemente, o de Cali, dos irmãos Rodriguez Orejuela. A Colômbia controla cerca de 80% do mercado mundial de cocaína, um negócio de 6 biliões de USD anuais!!
Após várias tentativas falhadas de controle das terras perdidas para as guerrilhas, foram criados exércitos particulares, denominados paramilitares, de direita, responsáveis por vários massacres a camponeses e comunidades indígenas suspeitas de apoiar as guerrilhas. Hoje em dia, estes exércitos, também já funcionam sob o lucrativo negócio da cocaína! Há dúvidas em relação a qual destes dois grupos será mais violento, guerrilhas, ou paramilitares!
Mas o que é certo é que durante a nossa estadia de cerca de um mês na Colômbia, não sentimos qualquer tipo de insegurança derivado de qualquer destes dois grupos opostos, apesar de em Medellin termos experimentado um ataque com gás lacrimogéneo, e durante a nossa estadia em Bogotá ter rebentado um carro bomba perto de uma universidade local! De qualquer forma, a recordação que fica é a de um país com pessoas maravilhosas, e um sem número de fabulosos frutos tropicais, a maioria nunca tinha sequer ouvido falar: coruba, carambola, guanábara, zapote, granadilla, lulo, tomate de árvore, tamarindo, borojó, só para nomear alguns! Ao pequeno-almoço marchava sempre um "jugo" de um destes frutos exóticos!!!
02-11
Sem grandes complicações para atravessar a fronteira, chegamos a Otavalo! Aqui temos o nosso primeiro grande contacto com puros indígenas. Nesta pequena cidade andina encontramos um fabuloso e dos mais importantes mercados sul-americanos. Todos os Sábados descem a Otavalo centenas de indígenas que literalmente inundam as ruas e praças com as suas fabulosas peças de artesanato andinas. É a completa loucura! Chegamos ao final do dia exaustos! É pena que não possamos comprar muito...trazemos a casa às costas!! 
A indumentária tradicional abunda pelas ruas e a mistura de raças também, indígenas e mestiços cooperam pelas ruas da cidade, anulando preconceitos ancestrais.
Aqui também se inicía uma fantástica paisagem, cheia de vulcões e lagoas! São visões que não cabem nos olhos, e que nos irão acompanhar durante grande parte da nossa viagem para sul.
Nas redondezas de Otavalo, subimos a uma aldeia indígena, Peguche, e vislumbramos a origem e manufação das várias tapecarias e peças de artesanato que ao Sábado descem à cidade. Fazemos ainda dois trekkings bem interessantes: um deles que percorre todo o perímetro da Laguna de Cuicocha, uma bela lagoa sediada na cratera de um vulcão extinto; o outro às Lagunas de
Mojanda e ao pico do vulcão Fuya Fuya, com 4263 m! Daqui tivemos a sorte de ter alguns escassos minutos de tempo limpo, que nos permitiu deslumbrar uma fantástica vista de 360º sobre os vulcões nevados circundantes.
09-11
Chegamos a Quito. Com um centro histórico reconhecido pela UNESCO, obviamente que a arquitectura colonial está bem preservada e abunda! Ficamos hospedados na "Cidade Nova" ou "Gringolândia", como é designada! Aqui atropelam-se os cafés, restaurantes, bares, hoteis, cybercafés, e agências de viagem. Foi neste bairro que encontrámos a tasca portuguesa do sr. Carlos Guimarães, onde jantámos um belo coelho, entrecosto e camarões à boa moda tuga! Ficamos 5 dias em Quito. Visitamos o centro histórico e um dos ex-libris do Equador: a "mitad del mundo", o local onde está devidamente assinalada a linha do equador. Obviamente que este ponto especifico do planeta não tem qualquer importância, o que se passa é que a maior parte dos outros pontos do globo atravessados pela linha são, ou selva, ou mar, s
endo que esta zona montanhosa do Equador se tornou o local perfeito para estudar e calcular a localização da linha. Estes cálculos foram efectuados em 1736, de onde se criou o sistema métrico, e se provou que o planeta não era perfeitamente esférico. Um grande monumento e afins infraestruturas turísticas foram erigidas aqui, para assinalar devidamente o local.
Foi perante todo este aparato que nos deparámos com uma grande e inesperada surpresa: a linha está mal marcada!!! Está cerca de 240 m para Oeste da verdadeira linha do equador!! Descobrimos isto só depois de termos pago a entrada do parque e tirado as fotos com um pé em cada hemisfério!! Dirigimo-nos então à verdadeira linha do equador, cuja veracidade é comprovada através de GPS.
13-11
Seguimos par Machachi, ponto de partida para caminhar até aos
Ilinizas. A caminhada dura cerca de 4 horas, sempre no sentido ascendente, metade do caminho com neve. Chegamos ao refúgio, a cerca de 4650 m, comemos o nosso "boxlunch" e continuamos por mais meia-hora. Voltamos para baixo. Começam aqui a manifestar-se os efeitos de altitude: dor de cabeça, nauseas.
16-11
Entramos no Parque Nacional Cotopaxi. Tentamo-nos aclimatizar! Subimos ao refúgio Jose Rivas, de onde vamos tentar a ascenção ao vulcão Cotopaxi. Voltamos para baixo. No dia seguinte fazemos uma caminhada de cerca de 5 horas a 3800 m de altitude. Voltamos ao nosso "lodge", onde descansamos pela tarde.
18-11
Cerca das 14h dirigimo-nos ao refúgio Jose Rivas onde bebericamos um chá e mordiscamos umas bolachas. O refúgio está completamente rodeado de
neve, tem caído forte nos últimos dias! Testamos o equipamento, praticamos quedas no glaciar, tiramos fotos do fantástico pôr-do-sol e vulcões circundantes. Jantamos e vamos para os beliches, cerca das 19h, para descansar. Às 00:00h levantamo-nos com a sensação de estarmos acordados há dois dias! O pequeno-almoço cai mal! Dor de cabeça, vómitos e voltas intestinais dominam as hostes! Cerca da 01:20h iniciamos a ascenção. Vamos encordados, o risco de queda em crevasses é um factor importante a ter em conta! Não está excessivamente frio, e a grande quantidade de neve recente, dificulta muito a subida. Os crampons e piolet não servem os seus propósitos na totalidade! É uma longa
ascenção, dos 4800 m do refúgio, aos 5897 m do cume! Às 05:30 estamos a uma altitude de cerca de 5300 m! Os sintomas de falta de aclimatização são intensos, o sol nasce, faltam 597 m para o cume, a neve é péssima, a pendente é de cerca de 60º! São mais quatro horas para cima, pequenas bolas de neve rolam pela encosta iluminada pelos primeiros raios de sol! Do
excelente curso de iniciação ao alpinismo, promovido pela ADA Desnivel, em que participei (cujos formadores foram João Garcia, Rui Rosado e Bruno Carvalho, que recentemente ascenderam ao Shisha Pangma, 8013 m, com um fim trágico para o Bruno), aprendi que os males de altitude são um factor a ter muito em conta, e a neve, nas condições em que estava, com o sol a bater forte, e numa pendente grande, é o ingrediente que falta para uma
avalanche! Decidimos descender! A montanha é quem manda!
Este magnífico vulcão, ainda activo, é exactamente a imagem que temos desde pequenos! Uma figura perfeitamente cónica!
Dormimos o resto do dia!
20-11
Seguimos para Latacunga, onde visitamos a famosa Lagoa Quilotoa, encaixada 400 m na cratera de um vulcão.
Cartagena de Indias é uma cidade para desfrutar sem pressa! Não se pode ter pressa! A cidade enlaça-nos e amarra-nos com o seu charme e beleza! Ficamos uma semana por cá!
intactas, a arquitectura colonial está extraordinariamente bem conservada, as praças, as igrejas, as muralhas, os fortes, os palácios, os museus, transportam-nos de uma forma mágica! À noite, a iluminação artificial dá-nos outra visão da cidade, igualmente bela! As ruas enchem-se de gente, os restaurantes, os bares, as praças acomodam vendedores de tudo e mais alguma coisa. A cultura e a arte respiram-se por todas as esquinas. Foi neste ambiente envolvente, que no dia 16 celebrámos o aniversário da
Tânia, num restaurante catita, estrategicamente colocado sobre a praça mais animada da cidade! As prendas foram inúmeras, desde papel higiénico, repelente de insectos, palitos, cotonetes, fósforos, brincos, colares, etc! As velas foram apagadas ao som de dois mariachi que surpreendentemente apareceram ao mesmo tempo do bolo de aniversário! Uma noite para comemorar e relembrar!
lama, um fenómeno causado pela pressão de gases emitidos pela matéria organica subterrânea. Estamos literalmente a boiar sobre um buraco com 2500m de profundidade cheio de lama, que supostamente tem propriedades terapêuticas.
capital da cocaína! Famosa pelo "patron Pablo Escobar" e pelo pintor e escultor Fernando Botero. Esta metrópole orgulha-se também do seu comboio que corre toda a cidade de uma ponta a outra. Visitamos o jardim botânico e o centro histórico, com a excelente "plazeta de las esculturas", uma praça recheda com as gordas e gordos de Botero.
Conhecemo-la no barco entre Belém e Santarém, no Amazonas. Na altura ía a caminho de casa, Bogotá, onde está em processo de fundação de uma ONG ambiental. Acompanhou-nos e deu-nos algumas dicas sobre a cidade. Ensinou-nos ainda a fazer o "canelaço", uma deliciosa bebida com açucar de cana (panela), canela e aguardente de cana aromatizada com anís. Óptima para nos aquecer do frio que faz em Bogotá.
26-10
importantes do Continente Americano, e capital arqueológica da Colômbia, graças à sua enigmática cultura megalítica que se localizou nesta área, e ao facto de ser Património da Humanidade desde 1985. O parque compreende centenas de estátuas monumentais, que eram colocadas junto às sepulturas onde os corpos eram enterrados. Junto com os corpos foram encontradas várias peças em cerâmica e ouro. A cultura floresceu entre os séculos VI e XIV D.C. , mas foram encontradas peças que remontam ao século XXXIII A.C. ( 3300 anos), datadas através do sistema do Carbono 14!
autocarro em Mocoa e aí iniciámos um percurso de 133Km que demoramos 9 horas a concluir!! É uma estrada de montanha em terra batida que passa por paisagens fantasticas! Há uma parecida na Bolivia que se intitula "estrada da morte"; esta não é muito diferente! Poderia chamá-la de "estrada da sorte"!!
28-09
e pouco prestáveis a estranhos. Estäo a léguas da simpatia dos brasileiros! Para apimentar um pouco a situacäo, o país está à beira de eleicöes presidenciais, e a instabilidade e inseguranca intensificam-se. Prevêm-se tempos difíceis, qualquer que seja o candidato que vença, Hugo Chavez ou Manuel Rosales. Deixámos o país em boa altura!!
Em Maicao, trocamos os bolivares por pesos na rodoviária e compramos um bilhete para Santa Marta, onde chegamos cerca das 17h. Hospedamo-nos no hostal El Titanic, P$9000/pax dia. No dia seguinte passeamos pela cidade, a mais antiga da Colômbia, fundada em 1525. No entanto pouco resta da arquitectura colonial de entäo. Durante o dia organizamos actividades para os próximos dias: 2 dias de mergulho na costa do Parque Nacional Tayrona e o principal propósito da nossa visita aqui, o trekking à "Ciudad Perdida".
televisäo significativamente pesada, que me deixou de certa forma alarmado, uma vez que a minha mochila já está a rebentar pelas costuras! Surpresa das surpresas, a caixa estava cheia com a minha roupa... a minha roupa que fugazmente me retiraram da mochila! O verdadeiro presente foi um livro, e uma garrafa de uma bebida daquelas que faz doer a cabeca no dia seguinte!Divertimo-nos à grande!! Obrigado por todos os comentários, mails e sms de parabéns!
Dia 3
habilmente encaminhada por filtros e numerosos canais de drenagem, em direccäo às diversas linhas de água naturais. Esta sociedade teve o seu auge por volta de 1000 D.C., com uma hierarquia bem definida, grandes agricultores e artesäos, uma excelente comunicaçäo e relaçöes comerciais com povos que viviam junto à costa. Por volta do ano 1600, e após o controle total por parte dos espanhois, a comunidade Tayrona, assustada, refugiou-se nas terras altas da Serra Nevada de Santa Marta. No entanto, os espanhois nunca encontraram a "Ciudad Perdida". Durante aproximadamente 370 anos a selva engoliu a cidade, e só em 1973 esta foi descoberta por "guaqeros", caçadores de tesouros colombianos! Hoje, o Parque Arqueológico Teyuna é considerado património histórico, näo prosseguem as exploraçöes arqueológicas, e o turismo é devidamente controlado.
independência à Colômbia em Agosto de 1819. Quatro meses mais tarde, em Angostura (actual Ciudad Bolivar) foi proclamado pelo congresso o novo estado de Gran Colômbia, unificando a Colômbia, Panamá, Equador, e Venezuela (apesar dos dois últimos ainda estarem sobre liderança espanhola). Em Junho de 1821 completou-se a libertaçäo da Venezuela, na batalha de Carabobo, seguindo-se o Peru e a Bolivia. O sonho de Bolivar de uma república unida, cairia mesmo antes da sua morte, menos de uma década depois da sua criaçäo, com a separaçäo da Colômbia, Equador e Venezuela. A separaçäo entre a Colômbia e o Panamá deu-se em 1903, com o apoio dos Estados Unidos da América, após a qual foi construído o canal do Panamá através do istmo da América Central.
pensam que comemos päo português... näo se vende por cá, os venezuelanos näo gostam!! Contentamo-nos com uma bola de berlim e com o päo adoçicado de todos os dias!
Pernoitamos por lá. Negociamos com um pescador local uma viagem de 10 min até Sta Isabel, uma pequena comunidade. Aí contactamos um local que nos guia ao interior do Parque Nacional Peninsula de Paria, através de um rio e de um canion fantásticos. Voltamos nesse mesmo dia para Boca de Cumaná. Às 02:00h acordamos e saímos para uma caminhada nocturna, sem lua, em direcçäo a San Juan de Urane, onde apanhamos o único transporte do dia, às 05:00h, de volta a San Juan de las Galdonas. Aqui tomamos o pequeno almoço e seguimos para Rio Caribe onde ficamos uma noite.
25-09
terminam na costa das Caraíbas. Do autocarro vimos macacos, abismos, temos frio, temos calor, abunda o bambu, terminamos na praia, mais uma praia paradisíaca, a Playa Grande! Ficamos uma noite e voltamos a Maracay onde apanhamos um autocarro nocturno em direcçäo a Coro.
Sabana e escalar o monte Roraima. É uma cidade pacata, povoada de venezuelanos e brasileiros e para nós tem a sua piada, pois marca a passagem para outra cultura, outra lingua, diferentes hábitos e estilos.
Canaima. A Gran Sabana é vasta, abrangendo o país desde a fronteira com a Colômbia, até à fronteira com a Guiana e Brasil. É como que um espectacular e enorme vazio silencioso, povoado de serpentes, aranhas e escorpiöes, e salpicado com dezenas de Tepuis e fantásticas cascatas.
o equipamento de caminhada e acampamento. Os contratos com o guia e carregador(es) devem-se a dois simples factos: o primeiro é que é obrigatório ter um guia para a ascençäo; o segundo é que também é obrigatório haver um indigena na caldeirada; o terceiro é que já temos muito equipamento para carregar e näo nos apetece levar 30 kg às costas durante uma intensa caminhada; o quarto e mais interessante é que näo podemos deixar nada no topo, para além das pegadas, o que já causa impacto suficiente. Quando digo nada, é mesmo nada, incluindo a matéria orgânica proveniente do intestino grosso!! Deste modo, e como os factos säo só dois, decidimos contratar, para além do guia, um carregador por 3 dias e outro pelos 6 dias...isto só para a comida! No total, incluindo tudo, ficou em cerca de 300.000 bolivares, 111 euros.Mais aliviados e após a titia ter recebido todas as felicitaçöes, e deitado todas as lágrimas a que tem direito, rumamos a Paraitepui onde pernoitamos.
Partimos cedo de Paraitepui e caminhamos num ambiente de Savana, com ligeiros desníveis, numa distância de cerca de 13,5 km, até chegar ao primeiro local de acampamento, o kukenan, a uma altitude de 1050 m.
O dia seguinte leva-nos atá ao acampamento base da ascençäo a Roraima, uma distância de 9 km e um desnível de 820 m. Aqui preparamos um bom jantar, com muitos hidratos de carbono, na companhia de outros grupos, que como nós, reúnem forças para o duro dia que se avizinha.
A subida é feita em cerca de 3h1/2 a 4 horas, um desnivel de 900m em 2km de distância. É preciso ter perna e pulmäo. Lá em cima a paisagem é lunar, um planalto imenso completamente erodido, molhado e labiríntico, com uma área de cerca de 35 km2.
O maciço em que o Roraima está inserido, o
Guayanés, é constituido maioritariamente por granitos e gneises com até 3600 milhöes de anos (fazendo destas as rochas mais antigas de que há conhecimento na terra). Este maciço formou parte da secçäo ocidental da "Gondwana", o supercontinente formado pela uniäo das agora América do Sul e África, muito antes do surgimento da fractura que deu origem ao oceano Atlântico, há cerca de 150 milhöes de anos (jurassico tardio). A maior parte deste embasamento rochoso foi coberto por camadas
de areias siliciosas, provavelmente provenientes das terras altas de Gondwana, camadas estas que sendo agregadas e compactadas durante diferentes periodos termais, alcançam espessuras de milhares de metros, constituindo o que hoje se chamam os Tepuis. Por isso os Tepuis säo património da humanidade, atribuido pela UNESCO, e näo podem ser visitados a näo ser para fins científicos. A excepçäo, claro está, é o monte Roraima, provavelmente por ser o motor económico de Santa Elena de Uairen e de centenas de indigenas das comunidades circundantes. Outro factor que também ajudou a massificar o turismo no Roraima, foi o facto do famoso escritor inglês Arthur Conan Doyle ter baseado o seu livro e posterior pelicula "Lost World" neste fantástico Tepui, dando-lhe assim um clima de aventura e mistério!
Agora compreendo e dou valor ao guia que contratámos. No topo tudo está encharcado e cheio de fendas. Sozinhos näo iriamos a lado nenhum. Visitamos o vale dos cristais e o ponto triplo. Abundam os cristais de quartzo por todo o topo, practicamente caminhamos sobre espectaculares formaçöes hexaédricas. O ponto triplo define a fronteira entre a Venezuela, Brasil e Guiana. Oficialmente, a Venezuela näo reconhece este ponto fronteiriço com a Guiana, reclamando uma área de cerca de 2/3 do territória da antiga colónia inglesa. Qualquer que seja o mapa oficial da Venezuela que compremos, estäo devidamente assinaladas as fronterias reconhecidas pela Venezuela e a zona da Guiana em reclamaçäo.
O topo do Roraima é um ambiente hostil e bastante inóspito para qualquer organismo vivo, devido à falta de nutrientes,
especialmente fósforo e cálcio. Deste modo algumas plantas desenvolveram mecanismos especiais de subsistência, tais como alimentando-se de pequenos insectos ou evitando a perda de água por evaporaçäo (devido à alta radiaçäo).
Após 8 horas de caminhada voltamos ao nosso "hotel", uma cavidade coberta da chuva onde montamos o nosso acampamento.
Dia 5
Descemos atá ao acampamento Tok, um pouco à frente do Kukenan, onde dormimos na
primeira noite. Os músculos estäo doridos, os pés uma lástima, e as picadas dos puri-puri däo uma comichäo tremenda. Estas pequenas moscas picam que se fartam, e alimentam-se do nosso sangue sem pedir permissäo...malditas!!
Chegamos a Paraitepui perto da hora de almoço e vamos para Santa Elena onde ficamos no Hotel Michelle, Bs10000/pax dia (duplo). Encontramo-nos novamente com o Richard e organizamos uma visita ao Salto Angel, a maior cascata do mundo!
04-09
Passamos o dia e apanhamos o frigorífico, ou melhor, o autocarro para Ciudad Bolivar às 19:30h com chegada às 06:30h. Conselho: duas coisas essenciais a levar connosco num autocarro venezuelano de longo curso: polar e saco cama e documentos! Os dois primeiros säo obvios, o terceiro porque os controles militares säo constantes, neste nosso trajecto fomos interpolados quatro vezes!
05-09
À nossa espera em Ciudad Bolivar estava o Guillermo, ofereceu-nos o desayuno e encaminhou-nos para o carro que nos leva até Paragua, um trajecto de 2 horas. Lá apanhamos um pequeno aviäo até Canaima, onde almoçamos. Aí, vestimos o fato de banho e o impermeável, metemos as mochilas dentro de sacos plásticos e entramos numa lancha rápida até ao acampamento, a cerca de 1h30 de distância. Choveu o caminho todo, aliás, tem chovido a cântaros desde que entrei neste país. Tanta água, e no entanto 1l de gasolina é 15x mais barato que 1l de água. E a água é bem mais barata que em Portugal!! Um litro de gasolina custa a módica quantia de ... 0,025 euros...pois é...quem tem oil, tem oil!!!
Dormimos em redes e no dia seguinte entramos novamente na lancha para mais um trajecto de
2 horas, até chegar ao Salto Angel.
Ao contrário do que se possa pensar, o nome desta cascata näo tem qualquer tipo de influência divina! Em 1937, enquanto procurava ouro, o piloto norte-americano Jimmie Angel aterrou no topo do Auyantepui, o Tepui onde se origina o hoje denominado Salto Angel. Sem conseguir descolar novamente, foi obrigado a descer uma parede quase vertical com 1 km e entrar no meio da selva virgem, uma odisseia de 11 dias até à civilizaçäo. Entretanto o aviäo foi desmontado, transportado e remontado em frente ao aeroorto em Ciudad Bolivar.
Salto Angel é, de facto, a maior queda de água do mundo com os seus 979m de altura, mas näo é mais que isso. A Gran Sabana está releta de grandes e impressionantes cascatas acessiveis facilmente a partir da estrada. Talvez seja pelo elevado valor dispendido (220 euros), o que é certo é que se soubesse o que sei hoje, certamente utilizaria o meu dinheiro em algo que me enchesse mais a alma, enfim, uma extravagância que espero seja única ao longo desta viagem!
Dormimos novamente em redes com o Salto Angel como pano de fundo, e no dia seguinte rumamos de volta a Canaima, onde pernoitamos. Pelo caminho tivemos alguma emoçäo, uma vez que a lancha encalhou numas rochas, uma mochila saltou à água, o guia foi buscá-la, o barco rompeu-se, entrou água, tirámos água, desencalhámos o barco, voltámos a terra, ninguém caiu ao rio!!
08-09
Fazemos o caminho inverso e voltamos a Ciudad Bolivar, onde ficamos na Pousada Dom Carlos, uma antiga escola, com um óptimo ambiente e um espaço comum fantástico!
Seguem-se as praias do mar das Caraíbas...

partilhá-lo entre nós. Continua assim o clima de festa!! Durante o dia damos umas voltas na proximidade do hotel, visitamos o comércio, almocamos, descansamos, e vamos comemorar o aniversário do Nuno, um belo repasto finalizado com o tipico "parabéns a voce" e apagar de velas, acompanhado com palmas por todos os comensais presentes no restaurante. Depois bebemos um copo num bar para terminar a noite em beleza!
À noite assistimos no teatro Amazonas à orquestra filarmónica de Munique. O bilhete de entrada foi 1 kg!! de arroz, feijão, farinha, o que for, qualquer que fosse o kg de um bem alimentar, a entrada estava garantida, desde que a indumentaria se adaptasse aos varios banners expostos nas proximidades do teatro.
instalámos, exceptuando claro a semana de luxo em S. Luis, mas essa não conta para a estatística! Tem uma decoracão fenomenal com motivos da selva, quartos limpos, um óptimo ambiente, um pequeno almoco fantástico, que alimenta qualquer leão faminto, e para além disso tudo é baratissimo, R$12 /pax dia em quarto quintuplo.



11-08


mos um ônibus que nos leva até Alter-do-Chão. Chegamos às 08:30h, hora para um belo repasto, estavamos famintos.





06-08
Chegamos a Belém pelas 11:00h desta manhã de Domingo, e vamos directos para o hotel Fortaleza, um clássico de backpackers gerido pela Gilda, muito castiça. Hoje é um dia pouco seguro para andar pelas ruas, uma vez que estão muito vazias. Damos uma volta pelas ruas na próximidade do hotel. Compramos bilhetes para o barco que nos levará até Santarém, custou R$90. À noite fomos até um barzinho e voltamos cedo para o hotel.

Acordamos cedo, pelas 06:30h, e comprámos umas redes que serão a nossa tarimba durante 3 dias até Santarém, e enquanto viajarmos de barco pelo Amazonas até ao Peru. Apanhámos o ônibus até ao porto para colocar as redes e voltámos para o centro, ao mercado local, o"ver-o-peso", com cerca de 1000 barracas de frutos, especiarias, carne, peixe, animais vivos, artesanato, enfim, tudo o que é necessário para sobreviver.
Belém é o motor económico do norte do Brasil, e da Amazónia Legal. Faz a ligação entre o oceano Atlântico e o Amazonas e é a principal porta de entrada da Amazónia, utilizada desde 1616 pelos portugueses para conquista de toda a zona norte.

Entramos no que será o nosso hotel durante as próximas 3 noites, o barco "Coronel José Julio", com capacidade para cerca de 220 pessoas e carga ilimitada. Pelo menos a mercadoria não pára de entrar, caixotes a perder de vista que abastecem as povoações ao longo do rio, com tudo o que se possa imaginar, desde milho a galinhas, tapioca a vaca, vegetais e fruta frescos, etc!!!
Dormir num convés povoado de gente deitada em redes não é fácil nem confortável. Acho que já dormi em sitios piores, mas não me lembro de ter acordado tantas vezes na mesma noite!!
O dia começa com o nascer do Sol e somos brindados com um belo "café da manhã", que consiste em...café...e uma vez que é de manhã... os tripulantes deste barco seguem à risca a denominação brasileira do nosso "pequeno almoço"!
O almoço é carne com arroz, feijão e farinha de tapioca, e o jantar é farinha de tapioca, feijão, arroz com carne. Pelo menos varia a carne, ao almoço foi galinha e ao jantar vaca.
Quando atracamos num qualquer porto de passagem dá-se uma"revolução", com passageiros a sair, novos passageiros a entrar e a procurar o melhor local para colocar a rede, vendedores de gelados, fruta, açai, e crianças a estender a mão, à espera que lá caia qualquer coisa, de preferência uma moeda.
Entrámos na zona da malária, redobram-se os cuidados,especialmente a partir do lusco-fusco e até ao amanhecer. Comprimidos de alho, profilaxia com mephacin, rede mosquiteira, repelente com 35% de DEET, biokill na roupa e a maior quantidade de pele coberta, são os cuidados de prevenção que teremos de cumprir.
Da mesma maneira que começa, o dia também acaba cedo. Após o jantar o silêncio começa a reinar e as redes acomodam os corpos cansados de não fazer nada! 
Não é difícil travar conhecimento com os companheiros de viage, sejam eles viajantes à procura do desconhecido, como nós, ou locais que viajam em trabalho ou de regresso ao encontro das familias e amigos.
Entretém-se a jogar cartas, dominó, dançar, ouvir música, conversar, ou simplesmente olhar o rio Amazonas, um rio que está a uma escala muito diferente da que estamos habituados: é tão largo que, estando numa margem e olhando para a outra só se vê uma pequena faixa verde no horizonte, e é tão sujo que não se vê um cm que seja para o seu interior.
Sinceramente não o imaginava assim!!!!!!
Corremos a vila toda a pé e ainda houve tempo para ir até a praia, na companhia da Alicia, uma espanhola de Barcelona que se encontra a viajar sozinha! Almoçamos juntos e voltamos para S. Luis às 16:00h, uma viagem muito abanada!!!
Alvorada às 03:00h, check out do hotel. Chegamos ao aeroporto de S. Luis para apanhar a Ana, que se junta a nós. Apanhámos uma fourgoneta que nos leva do aeroporto até à rodoviária para apanhar o autocarro das 06:00h para Barreirinhas, porta de entrada para o Parque Nacional dos Lençois Maranhenses. Os Lençois são piscinas naturais de água cristalina formadas pelo elevado nível freático e pela água da chuva no meio de imensas dunas de areia branca que dominam uma paisagem de 155 km2.
Instalamo-nos na Pousada do porto e percorremos as várias agências de turismo e aventura à procura dos melhores preços e roteiros, uma vez que é obrigatório levar um guia nativo para percorrer os lençois. Negociámos uma caminhada de 5 horas pelo Parque incluindo transportes em jardineira 4x4 até al local do inicio e transporte de volta para Barreirinhas, R$55 por pessoa mais R$50 pelo guia, a dividir por todos, 25 euros por pessoa.
Eis que chegou o grande dia!!!
Agosto em pleno centro histórico de S.Luis do Maranhão.

Consultas de medicina do viajante e as inevitáveis vacinas, seguro de viagem, horas em busca do melhor roteiro, equipamento, guias, aconselhamentos, uma infindável lista de material que terá de caber dentro de uma mochila…
Esta página pretende ser um registo das nossas experiências vividas que procuramos actualizar sempre que possível, tanto através de texto, como de imagens, para que todos possam partilhar as nossas vivências em tempo real, sonhar ou até preparar uma aventura semelhante!
Até breve